{"id":23,"date":"2024-12-10T08:05:10","date_gmt":"2024-12-10T11:05:10","guid":{"rendered":"http:\/\/novabahia.secom.ba.gov.br\/?post_type=historias&#038;p=23"},"modified":"2025-06-17T11:39:57","modified_gmt":"2025-06-17T14:39:57","slug":"maria-teresa-uma-jovem-indigena-cataa-trilhando-o-caminho-da-medicina","status":"publish","type":"historias","link":"\/novabahia\/historias\/maria-teresa-uma-jovem-indigena-cataa-trilhando-o-caminho-da-medicina\/","title":{"rendered":"Maria Teresa: Uma jovem ind\u00edgena Cata\u00e1 trilhando o caminho da medicina"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"MAIS FUTURO pelos olhos de quem vive as mudan\u00e7as\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OfIimGmvF1k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Maria Teresa Ara\u00fajo, ou Teresa Cata\u00e1, 18 anos, \u00e9 uma jovem ind\u00edgena da etnia Cata\u00e1 que h\u00e1 cerca de seis meses deixou sua comunidade em Rodelas, na regi\u00e3o de Paulo Afonso, pr\u00f3ximo ao Rio S\u00e3o Francisco, para perseguir o sonho de cursar medicina na Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Sua hist\u00f3ria \u00e9 um exemplo de perseveran\u00e7a, for\u00e7a de vontade e amor por suas ra\u00edzes. Criada em uma comunidade de aproximadamente 400 fam\u00edlias ind\u00edgenas, Maria Teresa carrega consigo a riqueza da cultura Cata\u00e1 e a determina\u00e7\u00e3o de usar seus conhecimentos para beneficiar seu povo.<\/p>\n\n\n\n<p>A inf\u00e2ncia de Maria Teresa foi marcada pela uni\u00e3o familiar e pelo conv\u00edvio pr\u00f3ximo com seus parentes. &#8220;Uma coisa que eu gostava muito da comunidade era isso, porque todo mundo morava muito pr\u00f3ximo, tipo, na minha rua s\u00f3 tinha fam\u00edlia e isso era muito bom, porque todo dia eu podia ver minha av\u00f3, podia ver os meus tios e isso \u00e9 uma coisa que eu n\u00e3o tenho aqui&#8221;, relembra com saudade.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, o Paj\u00e9 era uma figura central, detentor de grande sabedoria. \u201cNosso Paj\u00e9 era muito respeitado, infelizmente ele faleceu j\u00e1 tem acho que uns dois anos. Tamb\u00e9m tem os nossos caciques que s\u00e3o figuras muito respeitadas, principalmente o mais velho da nossa comunidade. Tenho uma admira\u00e7\u00e3o muito grande por eles, gosto muito deles e a gente sempre teve uma rela\u00e7\u00e3o de muito respeito com os nossos mais velhos, sabe? Eu acho que a gente aprendeu desde pequenininho a saber que eles s\u00e3o pessoas de muito conhecimento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por toda essa hist\u00f3ria e uni\u00e3o familiar, mudar-se para Feira de Santana para cursar medicina representou um grande desafio para Maria Teresa. A dist\u00e2ncia da fam\u00edlia e a adapta\u00e7\u00e3o a um novo ambiente trouxeram dificuldades. &#8220;T\u00e1 sendo muito dif\u00edcil esse per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o, porque l\u00e1 eu tinha um contato di\u00e1rio com a minha fam\u00edlia, com os meus amigos e aqui eu me sinto muito sozinha porque sou s\u00f3 eu&#8221;, desabafa. Apesar das dificuldades, ela se mant\u00e9m firme em seu objetivo de se formar e retornar para sua comunidade. &#8220;Eu me enxergo formada e voltando para l\u00e1 para atender a minha comunidade e tentar retribuir de alguma forma todos os ensinamentos e tudo que eles passaram para mim e fizeram por mim&#8221;, afirma com determina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para alcan\u00e7ar seu sonho e ingressar na faculdade de Medicina, a educa\u00e7\u00e3o escolar ind\u00edgena teve um papel fundamental na trajet\u00f3ria de Maria Teresa. Ela estudou do ensino fundamental ao m\u00e9dio na escola da comunidade, onde o ambiente era acolhedor e colaborativo. &#8220;O ambiente da escola eu achava muito bom, porque todo mundo se ajudava, n\u00e3o tinha nada de competitividade, era muito bom viver l\u00e1&#8221;, afirma. A escola n\u00e3o apenas transmitia conhecimentos acad\u00eamicos, mas tamb\u00e9m refor\u00e7ava os valores culturais e o senso de comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>E por falar em valores culturais, a cultura Cata\u00e1 se manifesta em todos os aspectos da vida na comunidade. O Tor\u00e9, dan\u00e7a ritual\u00edstica com cantos tradicionais, era praticado semanalmente na escola, transmitindo a hist\u00f3ria e os valores do povo Cata\u00e1 para as novas gera\u00e7\u00f5es. &#8220;Eu gosto muito do Tor\u00e9. Eu acho um momento muito bonito, porque \u00e9 um momento em que t\u00e1 todo mundo integralizado. \u00c9 como se todo mundo vibrasse em uma mesma intensidade&#8221;, descreve Maria Teresa, demonstrando seu apre\u00e7o por essa tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A comunidade de Maria Teresa, apesar de localizada pr\u00f3xima \u00e0 cidade de Rodelas, mantinha um estilo de vida mais voltado para o ambiente rural. A principal atividade econ\u00f4mica era a agricultura. &#8220;A maioria das pessoas da minha comunidade l\u00e1 tem ro\u00e7a de coco, que vende para outros estados, para S\u00e3o Paulo&#8221;, conta Maria Teresa.<\/p>\n\n\n\n<p>A vida na comunidade, por\u00e9m, n\u00e3o era isenta de desafios. Um dos momentos mais marcantes na vida de Maria Teresa foi um epis\u00f3dio de doen\u00e7a que afetou um membro mais velho da comunidade. &#8220;Foi uma situa\u00e7\u00e3o que me fez pensar muito, inclusive foi at\u00e9 um dos motivadores, que me incentivou a ter esse sonho mais forte de fazer medicina para voltar para minha comunidade depois&#8221;, confidencia Maria Teresa. A experi\u00eancia a impulsionou a buscar conhecimento na \u00e1rea da sa\u00fade para poder ajudar sua comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A luta pela demarca\u00e7\u00e3o de terras tamb\u00e9m \u00e9 uma realidade constante na vida da comunidade. &#8220;Uma das coisas que mais me marcaram e que mais me marcam at\u00e9 hoje, n\u00e9, porque ainda t\u00e1 acontecendo, \u00e9 a luta pela demarca\u00e7\u00e3o do nosso territ\u00f3rio. A gente t\u00e1 desde 2017 nessa luta e at\u00e9 hoje nada de sair&#8221;, lamenta. A demarca\u00e7\u00e3o de terras \u00e9 fundamental para garantir a preserva\u00e7\u00e3o da cultura, dos recursos naturais e da autonomia dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria Teresa \u00e9 uma inspira\u00e7\u00e3o. Para os jovens parentes que, assim como ela, carregam sonhos e aspira\u00e7\u00f5es, ela deixa uma mensagem de incentivo e esperan\u00e7a: &#8220;Eu diria que tem que se esfor\u00e7armuito. Se voc\u00ea tem um sonho, voc\u00ea tem que batalhar, n\u00e3o pode desistir, independente das dificuldades no caminho. Voc\u00ea tamb\u00e9m tem que saber viver e aproveitar o presente e n\u00e3o desistir nunca, sempre ter esperan\u00e7a, porque uma hora vai dar certo.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Teresa Ara\u00fajo, ou Teresa Cata\u00e1, 18 anos, \u00e9 uma jovem ind\u00edgena da etnia Cata\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"template":"","categories":[],"class_list":["post-23","historias","type-historias","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"\/novabahia\/wp-json\/wp\/v2\/historias\/23","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"\/novabahia\/wp-json\/wp\/v2\/historias"}],"about":[{"href":"\/novabahia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/historias"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"\/novabahia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"wp:attachment":[{"href":"\/novabahia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"\/novabahia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}