Carne brasileira ganha o mundo

28/09/2003

Carne brasileira ganha o mundo
País já superou Austrália e Estados Unidos e deverá faturar US$ 1,4 bilhão em 2003. Bahia vai exportar em 2005

 


Este ano pode ser considerado como aquele em que a pecuária brasileira deu um salto mais que positivo na exportação de carne bovina. Atingindo uma produção de 820 mil toneladas e um faturamento de US$ 875,3 milhões somente de janeiro a agosto, o Brasil se consolidou como o principal agente mundial do setor, superando a Austrália e Estados Unidos, que até o ano passado ocupavam os primeiros lugares no ranking, e já exporta para 74 países. Em 2002, as exportações somaram US$ 1,1 bilhão, devendo alcançar US$ 1,4 bilhão no final de 2003.

Para 2004, as previsões são ainda mais otimistas. O Brasil sinaliza acordos com os Estados Unidos, que funcionariam como uma “porta aberta” para mercados importantes como os do Nafta (EUA, México e Canadá) dos Tigres Asiáticos (Coréia e Japão que, sozinho, movimenta quase 50% da importação mundial de carne bovina) e Oceania. Este ano, o País conquistou um importante mercado: a China.

Mais do que as cifras a serem movimentadas, o País ganhará com a credibilidade conferida por esses mercados ao produto, como explica o presidente do Fórum Permanente de Pecuária de Corte da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antenor Nogueira. Entretanto, nem todas as notícias são boas para o setor. Mesmo figurando no topo da lista, o Brasil fatura menos que os concorrentes, por não ter acesso ainda a mercados que pagam melhor pela carne, como o Japão, e porque os produtores estrangeiros são subsidiados, ou seja, recebem incentivos dos governos de seus países.


O preço da carne brasileira vem melhorando, e chegou a US$ 1,8 mil em setembro; mas, de janeiro a agosto, a tonelada in natura foi negociada, em média, por US$ 1,6 mil, e por US$ 1,9 mil a tonelada da carne industrializada, contra US$ 3,5 mil por tonelada da carne norte-americana. Consciente das exigências do mercado, internacional e interno, o produtor brasileiro tem vacinado regularmente seu rebanho. A exceção é para o sul do Pará, Acre, Amazonas e todos os Estados nordestinos; menos Bahia e Sergipe, que são zonas livres de aftosa com vacinação.

BAHIA NELES – A Bahia só deverá exportar carne bovina em 2005, mas já ingressou no contexto de visualização de exportação: está firmando as condições para entrar firme no setor e começa a adequar seu parque frigorífico para atender às exigências de países como Estados Unidos, China e Rússia. Irã, Líbia e Israel também são importadores em potencial.

O Estado, com 10 milhões de cabeças, disputa com o Rio Grande do Sul o 5º lugar no ranking nacional. São 223 mil propriedades rurais com criação bovina monitoradas pelo Sistema de Vigilância Sanitária da Abad – Agência de Defesa Agropecuária da Bahia, órgão da Secretaria estadual da Agricultura (Seagri). Para este trabalho, a Adab dispõe de 15 coordenadorias, 68 gerências e 416 escritórios, cobrindo todos os municípios baianos, como informa o diretor geral, Luciano Figueiredo, médico veterinário e professor da Ufba.

Assim como o Brasil, a Bahia também está “jogando a sua cara” para o mercado externo. “Estamos nos preparando para um sistema de produção adequado, já temos bons frigoríficos e o sistema de defesa e vigilância está dentro das conformidades e rigorosidade exigidas. Com tudo isso bem azeitado, coloca-se o Estado como apto para as negociações”, diz o diretor da Adab.

Os mais importantes núcleos de produção baianos são o tradicional Sudoeste (região de Itapetinga e Itororó) e a região, também tradicional, de Feira de Santanam (incluindo o seu entorno e municípios de Santo Antonio de Jesus a Serrinha).

As regiões Oeste (Barreiras, Formosa, Luís Eduardo Magalhães) e Extremo Sul (Medeiros Neto e Teixeira de Freitas, até Eunápolis) despontam para a produção de carne bovina, com boa genética, boas condições alimentares e manejo adequado do gado. No Oeste, o aproveitamento dos subprodutos dos grãos, principalmente a soja, incrementa a pecuária, porque barateia a ração.

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