Abic lança programas de qualidade
Os projetos serão apresentados durante o 11° Encontro da Indústria de Café com a Qualidade, em Sauípe.
Estudos mostram que cerca de 25% do café comercializado no País tem qualidade inaceitável, e 95% da produção vendida internamente priorizam o menor custo, em detrimento da qualidade. A informação é da Associação Brasileira das Industrias de Café (Abic), que depois da criação do selo de qualidade, encontrado nos rótulos dos produtos que têm procedência reconhecida, pretende agora investir na melhoria da qualidade do produto consumido pelo mercado interno.
Dois programas voltados para melhorar a qualidade e o marketing do café serão lançados pela Associação Brasileira das Industrias de Café, no 11° Encontro da Indústria de Café com a Qualidade (Encafé 2003), que será realizado entre os dias 20 e 23 de novembro na Costa do Sauípe.
O Programa Qualidade do Café e o Projeto de Aumento do Consumo Interno de Café (Pacic), pretendem elevar novamente o tradicional cafezinho à categoria de bebida mais popular entre os brasileiros. Pelo menos 200 dos principais fabricantes do Brasil estarão representados no evento, que tem apoio da Secretaria de Agricultura (Seagri). Mais de 150 empresas confirmam presença.
Selo Pureza
A primeira grande investida da Abic na melhoria da qualidade do café foi há 14 anos, quando lançou o Selo de Pureza, garantindo um percentual limite de resíduos nos cafés certificados. Hoje o sabor é a principal preocupação da associação. "Queremos trazer de volta o prazer de degustar um bom café. Aquele prazer que nos remonta ao tempo de infância, quando o aroma do café sendo coado enchia toda a casa", explica o diretor executivo da Abic, Natan Herskowicz.
De forma semelhante à melhor tradição da indústria vinícola, a Abic pretende formar não apenas bons degustadores de café, com paladar aguçado para reconhecer um produto de qualidade. Com isso pretende melhorar o desempenho de tradicionais vendedores do produto; a qualificação dos vendedores e obter mais informações dos consumidores de café. O projeto tem orçamento sugerido ao governo de R$ 45 milhões em recursos do Funcafé em três anos. Serão investidos R$15 milhões por ano, dos quais R$ 5 milhões deverão ser aplicados em educação e R$ 10 milhões em propaganda e marketing. Outros 30 milhões por ano serão captados junto ao setor privado.
Já o programa Qualidade do Café irá estimular indústria brasileira a melhorar a qualidade da bebida consumida pelo grande público. "Apesar da melhoria verificada nos últimos quatro anos, com a produção de cafés especiais, cafés gourmet, ainda falta muito para que o produto consumido internamente fique próximo da qualidade dos blends comercializados no mercado internacional, apesar da produção do País estar entre as maiores", diz Herskowicz.
O diretor da associação lamenta que a falta de um produto agradável ao paladar resulta na migração do consumidor para outras bebidas, como sucos e refrigerantes. Com a implantação do Programa de Qualidade do Café, a Abic espera estabelecer um nível mínimo de excelência para o café produzido pela indústria baseado em café do "tipo 8" que, em uma escala de 2 a 8, possui a menor qualidade admissível. Para ilustrar a informação, o grão tipo 8 apresenta em torno de 360 defeitos.
Herskowicz informa que estudos recentes comprovam que o tradicional cheiro do café é um dos dez aromas mais reconhecidos pelos consumidores de todo o mundo.
Os 30 melhores
Um júri formado por dez degustadores de café, escolhidos pela Associação dos Produtores de Café da Bahia, Assocafé, irá indicar, entre os próximos dias 8 e 10, os 30 melhores de cafés produzidos na Bahia. Trata-se da segunda etapa do Concurso de Qualidade de Cafés da Bahia, realizado pelo segundo ano consecutivo pela associação, em parceria com a Secretaria de Agricultura (Seagri). O concurso selecionou 75 amostras do produto uma centena de candidatos no estado.
A ordem de classificação dos premiados será divulgada no próximo dia 29 de outubro, durante a entrega de premiação em dinheiro aos primeiros classificados no valor total de R$ 45 mil. Até lá, os selecionados da segunda etapa poderão oferecer o produto para comercialização com preços diferenciados para a compradora Tristão, maior exportadora de café do País, ao preço em vigor na BM&F no dia 11 de outubro.