Trigo volta à pauta do agronegócio
Produtividade da primeira safra do trigo irrigado colhido na Bahia supera a média nacional e anima agricultores a ampliarem o cultivo, que não era realizado há 15 anos
Da Redação
A alta produtividade alcançada pelo trigo irrigado plantado na Bahia está enchendo de esperança os produtores de Mucugê e Ibicoara que participam da experiência de reintroduzir o trigo na pauta do agronegócio baiano. Como o Estado importa a maior parte que consome, essa primeira colheita de pode ser um primeiro passo rumo à auto-sustentação.
De acordo com o agrônomo da Secretaria da Agricultura do Estado (Seagri) responsável pelo acompanhamento do projeto, Marcelo Libório, enquanto no Paraná e Rio Grande do Sul a produtividade em sequeiro fica entre 2.500 e 2.700 quilos por hectare, a Bahia obtém, com irrigação, em torno de 5.800 quilos na mesma área, mais do que o dobro.
A média brasileira para o mesmo produto irrigado é de 4 mil quilos por hectare. As duas colheram este ano uma safra de 2,5 mil toneladas, com uma área plantada de cerca de 500 hectares irrigados.
Segundo Libório, a experiência apresenta resultados significativos não só em relação à produtividade mas também no que diz respeito à qualidade do produto final. “O trigo colhido na Bahia é o chamado melhorador, com alto teor de glúten, que é usado pela indústria para incorporar qualidade às massas de pão”, explica o agrônomo da Seagri.
O trigo está sendo comercializado por cerca de R$ 450 para o moinho de Salvador. “Toda a safra foi vendida e se tivesse mais seria escoada, pois o Brasil produz apenas metade do trigo que consome”, informa Libório.
O trigo que era plantado no Brasil se resumia à região sul, em especial no Rio Grande do Sul. As novas variedades abrem a perspectiva para o Estado investir numa atividade cada vez mais rentável, considerando-se as constantes altas do produto nos mercados externo e interno.
Participam da experiência na Bahia as fazendas Progresso e Igarashi, que utilizam as variedades BRS 207, a Embrapa 22 e a Embrapa 42, ideais para altitudes próximas a 1000 metros como as registradas na Chapada Diamantina.
ADAPTAÇÃO – Libório lembra que há 15 anos produtores do sul do País foram estimulados a plantar trigo na mesma região, mas como eles não se adaptaram ao tipo de solo e era uma cultura de sequeiro, a experiência não deu certo, além disso não choveu o suficiente.
Agora a perspectiva é bem diferente, pois a irrigação está conseguindo fazer a diferença e novas variedades testadas pela Embrapa e introduzidas pela EBDA (Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola) apresentam resultados promissores.
O trigo, além de gerar uma receita alternativa para as fazendas, serve como alternativa de cultura de rotação para olerícolas, a exemplo da batata, que exige um período de dois anos de repouso do solo a cada uma ou duas safras. Antes, a opção era usar o mileto ou capim, que são gramíneas como o trigo, mas de baixo valor comercial.