Bahia quer topo na produção de dendê
DA REDAÇÃO
Levar o dendê além do tabuleiro da baiana e alcançar o mercado externo de óleos vegetais é um projeto do governo da Bahia, certo de que o Estado poderá atender, também, à demanda interna. É o que consta do Programa de Desenvolvimento da Dendeicultura Baiana, implantado recentemente pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), a partir do Protocolo do Dendê assinado pelo Estado, Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), o Banco do Nordeste e as empresas Óleo de Palma (Opalma), Óleo de Dendê (Oldesa), Mutupiranga Industrial (MIL) e pela Jaguaripe Agroindustrial.
Segundo dados da Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), o Brasil importa 180 mil toneladas de óleo de palma e derivados por ano. “Assim, com o mercado assegurado e excelentes condições para o cultivo, a Bahia tem tudo para produzir o dendê que o Brasil precisa”, disse o secretário da Agricultura, Pedro Barbosa, para A TARDE Rural, lembrando que são mais de 700 mil hectares para a dendeicultura, numa faixa que vai da Região Metropolitana de Salvador ao extremo sul, onde se registra pluviosidade anual entre 1.600 e 1.800 milímetros, temperatura média superior a 23º e luminosidade acima de 2 mil horas por ano.
No baixo sul – especialmente Valença, Camamu, Ituberá, Nilo Peçanha e Taperoá – a plantação passa dos 30 mil hectares, de onde são extraídas 15 mil toneladas de óleo por ano. São cerca de 4,6 mil produtores envolvidos no cultivo e produção anual de 125 mil toneladas de cachos de dendê, o que contribui para a projeção da Bahia como segundo maior produtor do País (Pará é o primeiro). A planta é uma palmácea, cujo fruto – dado em cachos – tem aproveitamento múltiplo, utilizado na fabricação de azeites, óleos para as indústrias química, cosmética e alimentícia, sabões e carvão ativado. O bagaço serve para gerar energia por combustão e o farelo da amêndoa é aproveitado como ração animal e adubo.
A produção mundial de óleo de dendê é de 22 milhões de toneladas e o consumo de 21,8 milhões. A Malásia é o primeiro produtor (3 milhões de hectares e produção de 11 milhões de toneladas), seguida da Indonésia (6,8 milhões de toneladas). Na América Latina, a Colômbia lidera, com 510 mil toneladas de óleo, seguida do Equador (245 mil toneladas) e Costa Rica (109 mi toneladas). O Brasil tem plantados 66 mil hectares – dos quais 33 mil hectares estão no Pará e 31 mil na Bahia – e produz 105 mil toneladas de óleo. São extraídos dois tipos de óleo: o de dendê, ou palm oil, como é conhecido no mercado internacional, tirado do mesocarpo ou polpa, e o óleo de palmiste, conhecido como palm kernel oil, extraído da semente, similar aos de coco e de babaçu.
COMPROMISSO – Segundo dados da Assessoria Geral de Comunicação do Estado, coube à Ceplac utilizar os recursos liberados pela Secretaria da Agricultura na produção de sementes híbridas e colocar em funcionamento o Laboratório de Produção de Sementes da Estação Experimental Lemos Maia, coordenada pelo órgão, em Una. A Ceplac assumiu ainda a responsabilidade de produzir 2,4 milhões de sementes de dendê e as empresas foram incumbidas de implantar cinco viveiros para a produção de mudas. As sementes que dão origem às mudas estão sendo produzidas, armazenadas e pré-germinadas na Lemos Maia. O investimento foi de R$ 436,7 mil.