Ministério da Agricultura avalia perdas na safra de verão

24/03/2004

Ministério da Agricultura avalia perdas na safra de verão

 

Adriana Thomasi

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, disse ontem em Fortaleza que o governo espera concluir, até meados ou final de abril, no máximo, um panorama geral das perdas da safra de grãos no País. "Há uma clara quebra de safra no Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Paraná, com problemas de seca localizada, porém muito forte. O excesso de chuva também prejudicou as lavouras no Nordeste, comprometendo a produção", afirmou.

De acordo com Rodrigues, o ministério trabalha agora no levantamento nacional, que dependendo do quadro vai demandar decisões diferenciadas por produto e região. A esse quadro, o ministro soma o panorama econômico. "Às vezes, a produção é menor por determinada circunstância, mas o mercado reage e o preço compensa as perdas físicas. O ministro, que participou ontem da abertura da terceira edição do Irriga Ceará - Encontro Estadual do Agronegócio, ressaltou que é preciso olhar o cenário de perdas, mercado e preço para ver o que o governo pode e deve fazer.

Os recursos disponíveis do orçamento da União são insuficientes para atender todas as demandas da área rural, disse Rodrigues. Por isso, de acordo com Rodrigues, o governo aposta no PPP - parceria público privada, que está prestes a ser regulamentada no Congresso Nacional e vai alavancar recursos para projetos. "É o grande horizonte de investimentos na área de infra-estrutura", afirmou o ministro, animado com a possibilidade de parcerias. Segundo Roberto Rodrigues, a China, maior comprador de soja imagina investir em ferrovias no Brasil.

"Tenho proposto aos governos, a criação de um grupo de trabalho que pense na hipótese de construir um porto no Pacífico, para agilizar o processo de escoamento de safra e reduzir custos, em todo o continente asiático", acrescentou. Rodrigues esteve em novembro na China, preparando uma série de ações e agora a idéia assinar, se possível, em maio, um protocolo de intenções Brasil-China, na área agrícola.

O ministro classificou como "espetacular" o trabalho realizado no Ceará para a capacitação agrícola. "Todas as ações na área de irrigação, flores e frutas, passa pela capacitação", disse, ao se referir à proposta da Secretaria de Agricultura e Pecuária (Seagri), que prevê mecanismos de treinamento modulares.

De acordo com o secretário da Agricultura e Pecuária (Seagri), Carlos Matos Lima, o momento é de renovação de forças para construir uma agricultura forte no Estado. "Não haverá inclusão social sem a inclusão tecnológica", afirmou ao lembrar que o Estado tem fragilidades, mas também vantagens que devem ser transformadas em competitividade.

De cada 10 quilos de fruta produzida, 3 quilos seguem para a Europa", informou o secretário. Segundo Matos, o estado passou de 18 mil hectares plantados de frutas, em 1999, para 26,739 mil. Para este ano, a projeção é de 30,904 mil hectares, que devem render 892,658 mil toneladas de frutas, com produtividade média de 28,9 toneladas por hectare. As exportações do setor que, ano passado, fecharam em R$ 21, 562 milhões, devem chegar a US$ 30,400 milhões. A fruticultura está melhorando a vida do homem no campo, segundo Matos. Em 2003, foram 17,06 mil empregos e a expectativa é fechar o exercício com 20,33 mil postos de trabalho. A floricultura deve atingir neste ano US$ 2,123 milhões, diante dos US$ 1,089 milhões de 2003.

Novos acordos

No primeiro dia do Irriga Ceará o governador Lúcio Alcântara, assinou dois convênios para incrementar o agronegócio que beneficiam a agricultura familiar, também no setor da carcinicultura. O primeiro, firmado entre o governo do Estado e o Banco do Brasil, assegura R$ 150 milhões, destinados à cooperativas, associações de produtores e micro e pequenas indústrias.

O outro corresponde a termo de cooperação técnica entre o governo do Estado, o Banco do Nordeste do Brasil, Universidade Federal do Ceará, por meio do Labomar, e Associação dos Criadores de Camarão do Ceará, onde as instituições se comprometeram fortalecer e agregar valor ao agronegócio da carcinicultura no Estado.

Nesta quarta-feira, além da exposição sobre as novas regras de financiamento do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF), está prevista ainda a entrega de 18 cartas de crédito a 225 famílias de assentados em área de 6,575 mil hectares, em 14 municípios cearenses, no valor de R$ 3,295 milhões, pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto. O PNFC faz parte do Plano Nacional de Reforma Agrária, com acesso a terra e a investimentos para estruturação de unidade produtiva e infra-estrutura básica.

Dados da Secretaria de Reordenamento Agrário indicam que as condições estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), reduzem em 30% os financiamentos. A relação de itens financiáveis foi ampliada, a taxa de juros fixa recuou e foi criado um bônus adicional de incentivo a uma boa negociação do preço da terra.

 

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