Pólo têxtil de Salvador ganha incentivos
Confecções e lojas da Península de Itapagipe conseguem o certificado de APL (Arranjo Produtivo Local)
Alvaro Figueiredo
Existente desde a década de 40 no bairro do Uruguai, na Península de Itapagipe, em Salvador, o setor têxtil e de vestuário terá incentivos oficiais como a redução de encargos tributários, a partir da caracterização como Arranjo Produtivo Local (APL).
A oficialização da iniciativa aconteceu em cerimônia realizada no Bahia Outlet Center, centro comercial responsável pela venda direta e distribuição das confecções. A definição dos APLs como aglomerados de organizações regionais, que trabalham na mesma atividade produtiva, mantendo vínculo de articulação e cooperação entre si, é o primeiro passo para reduzir custos e reaquecer a produção do setor.
Operando próximas, as empresas integrantes deverão otimizar o uso de recursos, compartilhando a compra de insumos, treinamento de mão-de-obra e contratação de serviços, por exemplo.
Potenciais locais
A caracterização do tradicional setor de confecções como APL surgiu no Programa de Requalificação da Península de Itapagipe, implantado desde maio de 2003, para identificar o potencial produtivo local, formalizar projetos e reunir parcerias. O aglomerado da rua do Uruguai é composto por lojas de pronta-entrega, indústrias e um centro distribuidor, o Outlet Center, formando rede de instituições que operam em conjunto.
Historicamente, a península itapagipana vive períodos distintos de desenvolvimento. Surgiu como um forte pólo têxtil, mas com o passar do tempo foi decaindo, principalmente em função da mudança do eixo comercial de Salvador, com o surgimento dos shoppings centers. Há sete anos, a península passou a se desenvolver novamente, principalmente por causa da influência do Outlet, um centro distribuidor com 240 lojas.
Para o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia, Rafael Lucchesi, a rua do Uruguai possui características específica de um APL, "com empresas que há muito tempo possuem uma atuação coordenada e articulada".
Ele afirma que a partir do lançamento do projeto, as empresas terão diversas formas de apoio inter-institucional. "É a agenda de capacitação dessas empresas que vai ser apoiada de uma forma mais sinérgica, no sentido de impulsionar a geração e sustentação de empregos".
Para Lucchesi, na medida em que essas empresas se tornem mais competitivas, passam a ganhar mais mercado e com isso vão contratar mais pessoas, gerar maior produção e mais riqueza social partilhada.
Coalizão
O secretário também destaca que o APL é uma ação de coalizão e cooperação entre empresas e organizações em favor da competitividade. "Por isso, tem que possuir um movimento real com o protagonismo empresarial, como é o caso do APL de Confecções na Península Itapagipana".
A coordenadora do APL de Confecções, Rosemma Maluf, relata que cerca de 20% das indústrias de confecção do estado estão localizadas na Rua do Uruguai, além de um elevado número de lojas de varejo e pronta-entrega, onde existem demandas atuais de qualificação de mão-de-obra, incentivo à criação formal de micro e pequenas empresas e indústrias ligadas ao setor.
Para ela, o programa vai "resgatar a região, aumentando a renda e a oferta de emprego no setor, já que sua demanda é grande por causa da mão-de-obra intensiva".
Com a oficialização do APL, está se iniciando a primeira fase do programa, que consiste na realização de workshops e palestras de sensibilização com o empresariado, além da capacitação técnica, do planejamento estratégico e do diagnóstico empresarial, para que sejam identificados os pontos fortes e fracos do setor. Essas informações serão fundamentais para realização de campanhas conjuntas e também de iniciativas para a solução de problemas comuns.
Iniciativa coordenada
A caracterização do APL de Confecções é uma iniciativa da Rede de Apoio aos APLs do Estado da Bahia, integrada pelas secretarias de Indústria, Comércio e Mineração (Sicm), de Agricultura (Seagri) e de Planejamento (Seplan), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), Centro Internacional de Negócios da Bahia (Promo), Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia), Sebrae, Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) e Instituto Euvaldo Lodi (Iel), e coordenada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia Inovação do Estado (Secti).
kicker: O novo status poderá garantir redução de encargos e tributos