Itapetinga quer retornar à pecuária

14/06/2004

Itapetinga quer retornar à pecuária

A volta à criação de gado vem com a adequação às exigências do Sisbov para a exportação


JUSCELINO SOUZA
ITAPETINGA
E REDAÇÃO

Oito anos depois de se libertar da monocultura bovina, graças à implantação de um moderno parque industrial no entorno do município, Itapetinga, a 562 km de Salvador, retoma a economia do passado, porém com olhos voltados para o futuro. Agora, em vez do restrito mercado nacional, o desafio é abrir as “porteiras” para a exportação de gado e de carne bovina.

Com um projeto já aprovado, os pecuaristas do pequeno município, de aproximadamente 80 mil habitantes, correm contra o tempo e buscam informações sobre rastreabilidade, política de exportação e captação de recursos para ampliação do Matadouro Frigorífico de Itapetinga (Mafrip). Apontado como o melhor do Estado, o Mafrip está com volume de abate aquém da capacidade, operando com ociosidade de 100 bois/hora.

A pouco mais de um ano (o prazo termina em dezembro de 2005) para integrar o Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov) de rastreabilidade do rebanho - estimado em 1,2 milhão de cabeças, incluindo a microrregião de Itapetinga e Vitória da Conquista – diretores da Cooperativa Mista do Médio Rio Pardo (Coopardo), responsável pelo Mafrip, apresentam alternativas para se aproximar do mercado internacional antes do final desse prazo.

“Estamos conscientizando o produtor da importância desse negócio e buscando parcerias”, destacou o presidente Rômulo Coelho. A parceria consiste na venda de cotas, no valor de R$ 20 mil cada, para pecuaristas locais ou de outros municípios das regiões sudoeste, sul e extremo sul da Bahia. “O valor pode ser pago à vista, com recursos próprios, ou com acesso a linha de crédito com 8 anos de prazo e 2 de carência, com juros de 8.75% ao ano”, detalha.

Incluído entre os seis frigoríficos enquadrados no Sistema de Inspeção Federal (SIF) e no estágio mais avançado entre os quatro que já estão se adaptando às exigências do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o de Itapetinga é o que atrai mais atenção internacional na atualidade. Além dele, o Frifeira, em Feira de Santana; Unifrigo, em Jequié, e Fribarreiras, em Barreiras, são os primeiros a buscar a habilitação para exportação.

O Frifeira, que já está realizando a capacitação dos funcionários, através de cursos oferecidos pelo Sesi, também vai enviar projeto ao Ministério para aprovação. O Fribarreiras, inaugurado recentemente, tem capacidade para abater 300 animais por dia e também se prepara para exportar, absorvendo toda a região oeste - segunda maior região produtora de carne da Bahia com, aproximadamente, 1,7 milhão de cabeças. A Bahia tem um rebanho bovino de 10 milhões de cabeças.

No mês passado, durante encontro em Itapetinga, técnicos do Ministério da Agricultura divulgaram as normativas do Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina, que tem como objetivo identificar, registrar e monitorar os bovinos e bubalinos nascidos no Brasil ou importados. Segundo o diretor de Pecuária da Secretaria da Agricultura do Estado (Seagri), Plínio Moura, a capacitação dos produtores é o primeiro passo para o Estado pensar em exportação.

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