Aumenta a exportação de flores para a Europa

17/06/2004

Aumenta a exportação de flores para a Europa

Estado fecha parceria com gigante europeu do setor para adicionar à Frutal 2004 a marca internacional Agriflor

 

Adriana Thomasi

O Ceará começa a internacionalizar a sua produção de flores aproveitando o aumento de 352% na exportação do produto para Europa desde 2002. Com isso, a Semana Internacional da Fruticultura, Floricultura e Agroindústria (Frutal 2004) programada para 13 a 16 de setembro, no Centro de Convenções Edson Queiroz, em Fortaleza, ganha mais peso e atrai os olhos dos estrangeiros.

O primeiro resultado desse interesse é a adição ao nome da Frutal 2004 da marca Agriflor, fruto de uma parceria realizada com a holandesa HPP Worldwide, empresa comandada por Dick Van Ramsdonk. Ele é um dos promotores da Hortifair e da Agriflor (evento que acontece em Amsterdã, na Holanda, na primeira semana de novembro), que reúne 900 expositores e recebe 55 mil visitantes de cerca de 50 países

A HPP realiza edições na Rússia, Estados Unidos, Equador, Quênia, Japão e China, onde adota o nome de Agriflor, que é considerada a maior do setor no mundo. A negociação para criar a Agriflor brasileira envolveu a Secretaria da Agricultura e Pecuária do Ceará (Seagri) e o Instituto Frutal e começou a ser articulada há cerca de três anos.

A exportações cearenses de flores somaram algo em torno de US$ 442 mil s em 2002 e evoluíram para US$ l,088 milhão, ano passado, As estimativas para 2004 sinalizam vendas de US$ 2,2 milhões, de acordo com o presidente do Instituto Frutal, Euvaldo Bringel Olinda.

Até abril, foram cerca de US$ 551 milhões em flores e, desse total, US$ 410 milhões corresponderam a exportações de rosas, informa Rubens Aguiar, gerente de floricultura da Seagri.

O maior volume segue para a Europa - a Holanda responde por cerca de 72%. O Projeto Flores, desenvolvido pela secretaria, que capacitou 303 produtores e técnicos, vem sendo apontado como um dos grandes responsáveis pelo incremento do setor no estado.

Pólo exportador

Bringel diz que a Frutal-Agriflor Brasil 2004, reunindo produtores de rosas e plantas ornamentais do País e exterior, abre caminhos para que o Ceará se torne um dos maiores exportadores do setor no País, atraindo também novos investidores.

A conquista representa a inclusão do estado no circuito mundial de eventos do setor e contempla a possibilidade de atrair importadores e empresas de produtos e serviços, como observa o gerente de floricultura da Seagri, Rubens Aguiar.

A localização estratégica em relação aos centros compradores da Europa, em especial, clima favorável e organização, segundo Bringel, garantem competitividade ao setor. "O Ceará tem excelente infra-estrutura, caso do Terminal do Pecém, e do aeroporto Internacional Pinto Martins, que ganhou câmara frigorífica, específica para rosas, e poderá gerar empregos, além de saldo na balança comercial", afirma.

Bringel lembra que o setor de agronegócio vem apresentando crescimento substancial nas vendas externas. As exportações do setor de fruticultura evoluíram do patamar de US$ 831 mil, em 1998, para US$ 21,5 milhões, resultado de 2003 e devem chegar a US$ 30 milhões neste exercício, conforme dados da Seagri.

Crédito e tecnologia

De qualquer maneira, ainda precisa otimizar fatores importantes ao desenvolvimento como tecnologias, mercados, crédito adequado e, sobretudo, informação, conforme observa o coordenador-geral e diretor do instituto, Afonso Aquino.

Bringel acrescenta que o entrave no crédito deve ser solucionado. Nas contas do presidente da Frutal, foram investidos perto de R$ 1 bilhão, entre projetos como o do açude Castanhão e os pólos de Tabuleiros de Russas, Baixo Acaraú, Jaguaribe-Apodi e Araras Norte, correspondendo a 22 mil hectares irrigados nos próximos cinco anos, que precisam de retorno em emprego e desenvolvimento. "Já tivemos uma reunião com o Banco do Nordeste do Brasil, a partir da demanda de produtores do Baixo Acaraú, e estamos preparando um documento completo para encaminhar ao ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes e ao BNB", adianta.

Segundo Bringel, os problemas de financiamento para as áreas ocorrem em função dos baixos valores iniciais das terras, que ficam em torno de R$ 2 mil o hectare, quando a produção exige cerca de R$ 15 mil, considerando o investimento e custeio no prazo de 3 anos, o que inviabiliza a tomada de recursos. "Um produtor com 60 a 80 hectares, consegue financiar apenas 30% da área", afirma. Pelas regras atuais, no Baixo Acaraú, por exemplo, com 8,2 mil hectares, somente cerca 3 mil hectares deverão ser explorados, inicialmente.

Projeto comprador

A Frutal, que recebeu algo em torno de 36 mil visitantes no ano passado deve chegar a 37 mil nesta 11a. edição, reforçada por ações como a presença na Hortitec, Exposição Técnica de Horticultura, Cultivo Protegido e Culturas Intensiva, em Holambra, São Paulo, entre hoje e o dia 19.

A exemplo do trabalho já realizado na Alemanha, Holanda, Equador e Miami, Bringel também vai divulgar o encontro. O espaço de 15 mil m² do Centro de Convenções exibe ainda produtos da Amazônia e a mostra da Flor Pará, realizada em Belém.

kicker: Exportações cearenses de flores aumentaram 352% desde 2002

kicker2: A Holanda se tornou o principal mercado das flores cearenses

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