Manga: produtor busca saída na exportação

02/02/2006

Manga: produtor busca saída na exportação

Mesmo com quebra de safra, preço interno está fraco

Niza Souza

A euforia com o bom desempenho da manga durou pouco. Depois dos bons preços pagos pelo mercado e do crescimento significativo nos pomares paulistas na safra 2004/2005, os produtores enfrentam, mesmo com quebra de safra, um período de preços baixos, com poucas expectativas de manter os patamares da safra passada. O baixo consumo interno tem sido apontado como um dos motivos.

Por isso produtores que investiram pesado no ano passado tentam voltar-se, agora, para a exportação. É o caso do agricultor Ademar Ogata, de Taquaritinga (SP),que desde o início adaptou seus pomares para poder exportar. "A demanda no mercado externo é boa, principalmente da variedade palmer", diz ele, acrescentando que, no mercado interno, "há produtor perdendo fruta porque aqui não tem saída".

Com a quebra de safra, por razões climáticas, Ogata deve colher menos da metade da média de sua produção normal.

Tradicional produtor de laranja, Ogata aumentou os investimentos no seu pomar de manga no ano passado, incentivado pelo bom desempenho do setor. Hoje, tem cerca de 150 hectares de manga, sendo 40% de palmer e o restante dividido entre tommy e outras variedades.

Segundo ele, na safra passada a tommy atkins era negociada, na árvore, por R$ 0,30 o quilo, no mínimo. Nesta safra, diz, está na média de R$ 0,12. A queda no consumo é o principal fator de redução nos preços. "Em 2004, na semana anterior ao Natal, mandei 150 toneladas para a Ceagesp. Na mesma época, no ano passado, mandei apenas 5."

CLIMA

O agrônomo Luís Carlos Bassoli, da Casa de Agricultura de Fernando Prestes, explica que faltou frio durante o florescimento da manga, o que ocasionou a quebra na safra. "Nesta época do ano o preço da manga já é normalmente baixo, por causa da maior oferta", diz. Mas, com a quebra na safra, os produtores esperavam preços melhores. O que não está ocorrendo. "Há excesso de oferta e pouca demanda."

A indústria também está comprando menos. De acordo com Bassoli, sem demanda por suco, a indústria não compra manga. "No ano passado moeram muita fruta de má qualidade e isso refletiu na qualidade do suco e, este ano, no consumo."

O produtor Marvelino Fiorin, de Vista Alegre do Alto (SP), vende metade da produção para a indústria e reclama do valor pago. "A indústria está pagando R$ 0,13 o quilo da tommy atkins. No ano passado, negociamos por R$ 0,18 o quilo." Já a variedade palmer, diz ele, que foi negociada por R$ 0,30 o quilo na safra passada, este ano vai ficar em torno de R$ 0,20 o quilo.

SAIBA MAIS: Casa da Agricultura de Fernando Prestes, tel. (0--16) 3258-1107