Maior controle da febre aftosa nas fronteiras
O governo vai reforçar as ações de integração contra a febre aftosa com países de fronteira, afirmou ontem o secretário de Defesa Agropecuária, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Gabriel Alves Maciel. "Temos um vírus recorrente, que atingiu o Mato Grosso do Sul, o Paraná, e no passado Rio Grande do Sul, Uruguai, Paraguai e, agora, a Argentina, que suspendeu suas vendas externas por 180 dias". Maciel defende trabalho conjunto para conscientizar de todos os envolvidos.
As ações do governo contemplam trabalho de parceria com a Embrapa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para monitoramento, via satélite, do movimento de entrada e saída em 25 km do lado brasileiro e outros 25 km dos países vizinhos como Paraguai, Bolívia e Argentina.
O projeto, que começou em janeiro, deverá estar instalado até o final deste mês, com recursos de R$ 5,5 milhões, para monitoramento por satélite, ficando o autotrack (de veículo para veículo) com mais R$ 1,5 milhão – recursos bancados pelo Brasil. O sistema será ampliado nas próximas semanas para Paraguai e Paraná e Argentina e Paraná, Santa Catarina e Argentina e Rio Grande do Sul e Argentina.
"Como maior exportador de carne, o País precisa se preocupar com os vizinhos", justificou. De acordo com o secretário, a investida inclui ainda 2 milhões de doses, no valor aproximado de R$ 1,2 milhão, destinadas ao rebanho da Bolívia, que tem algo em torno de 4 milhões a 5 milhões de cabeças de gado. "Vamos fazer uma vacinação conjunta, possivelmente agora em abril", disse, ao assinalar que o Paraguai já adquiriu 4 milhões de doses.
Maciel acrescentou que o Brasil já teve uma situação privilegiada no caso da saúde animal, em relação à febre aftosa, mas os problemas detectados em Mato Grosso do Sul, no final setembro e início de outubro do ano passado, com registro de 53 focos e, no Paraná, com 7, acabaram comprometendo outras regiões.
Livres da doença e reconhecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), hoje, são somente Acre, Rondônia, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. "Queremos restabelecer a área livre de aftosa, que alcançava 54% do território brasileiro, antes do evento, concentrando o maior rebanho, com 180 milhões de cabeças".
Maciel explicou que o trabalho de retirada de Mato Grosso do Sul do vazio sanitário está em fase de conclusão e o do Paraná, será iniciado a seguir. "Teremos então seis meses para pleitear a área livre." O secretário disse que a luta é também para abrir mercado para a carne brasileira.
No Nordeste apenas Bahia e Sergipe são consideradas áreas livres de aftosa com vacinação, e Maranhão e Pernambuco, em risco médio, enquanto os demais em risco desconhecido. O secretário de Defesa Agropecuária já tem em mãos proposta de erradicação da febre aftosa para o Nordeste. "A idéia é ter uma base de dados única, nos 7 estados", concluiu.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 12)(Adriana Thomasi)