Conab reduz safra de soja em razão do clima e da ferrugem asiática
A safra de soja 2005/06 será de 55,231 milhões de toneladas de grãos, segundo o sexto levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estimativa é 0,89% menor do que a divulgada no mês passado, que apontava para 55,713 milhões de toneladas.
A pesquisa da Conab foi realizada entre os dias 17 e 20 de abril. Pelo levantamento, o Brasil produzirá 121,1 milhões de toneladas de grãos na safra 2005/06, crescimento de 6,3% na comparação com a safra anterior, que foi de 113,9 milhões de toneladas. Em relação à pesquisa divulgada no mês anterior, as expectativas apontam para redução de 0,3%. Para o presidente da Conab, Jacinto Ferreira, se o resultado se confirmar será a segunda maior safra da história brasileira, atrás apenas da produção de 2002/03, que somou 123,2 milhões de toneladas.
Segundo o dirigente, o recuo na estimativa de produtividade de determinadas culturas foi provocado por condições climáticas adversas, como chuva no Centro-Oeste, prolongamento de estiagem na maioria dos estados e incidência de doenças provocadas por fungos, como a ferrugem asiática da soja.
A área cultivada nesta safra foi estimada em 47,1 milhões de hectares. Se confirmada, representará um recuo de 4,1% sobre os 49,1 milhões de hectares da safra passada. A soja foi o destaque entre as culturas que perderam terreno. Segundo a Conab, há 1,1 milhão de hectares a menos de soja plantada do que na safra anterior.
Para o presidente da Conab, os próximos levantamentos não trarão grandes mudanças porque o volume já está praticamente consolidado. Ele disse ainda que a situação climática "agora está boa" para as culturas de arroz e feijão (1ª safra) e para as de inverno. Para Ferreira, o governo deverá intervir nos preços de algumas culturas consumidas no mercado interno, como o milho e arroz. Com o inicio da liberação dos recursos do Orçamento, Ferreira afirmou que, a partir deste mês, a Conab e o Ministério da Agricultura devem dar início ao programa de aquisição de produtos para melhorar os preços das commodities.
Segundo o profissional, o governo conta hoje com R$ 1,4 bilhão para a intervenção de preços e R$ 600 milhões para aquisições de produtos. O Ministério e a Conab demonstram preocupação com a falta de capitalização dos agricultores para a próxima safra.
"É por isso que foram aprovadas medidas para a prorrogação de dívidas, de ajuda para o escoamento da safra e recuperação de preços", frisou Ferreira.
Quanto à forte desvalorização do dólar ante o real, o dirigente da Conab afirmou que o câmbio é uma ferramenta de mão dupla. "Se ele prejudica a receita das exportações, ele melhora nos custos dos insumos. Por isso, é preciso analisar o câmbio com bastante cautela", afirmou.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 12)(Viviane Monteiro)