Nem todas as espécies de abelha fazem mel
Produtor de mel na região de Tucano por dez anos, o biólogo Milson Batista acreditava estar tirando o melhor proveito das abelhas até ser “seduzido” pela outra função que exercem na natureza, a de polinizadoras.
Ao pousar nas flores, em busca do néctar para se alimentarem, elas levam nas asas o pólen – que é o elemento masculino – para a parte feminina da flores e, assim, ajudam na reprodução das plantas.
Segundo Milson, apenas 3% das cerca de 20 mil espécies conhecidas de abelha produzem mel, daí ter ele se atraído a estudar o universo mais amplo delas, que têm papel fundamental para a biodiversidade.
Milson dedicou-se a estudar os efeitos da fragmentação dos habitats sobre a biodiversidade e escolheu as abelhas como objeto da sua observação.
Além de não ser apenas produtoras de mel, a maioria das espécies de abelha vivem em pequenas comunidades, em ninhos, em ocos de árvore e não em colméias, como vivem as abelhas que fazem mel.
O grupo de abelhas nativas e que não têm ferrão, estudado por Milson, tem cerca de 350 espécies, das quais poucas produzem mel, como as conhecidas como mandassaia, uruçu e jataí. A presença dessas abelhas indica a alta qualidade ambiental da vegetação, pois, segundo ele, somente árvores adultas em ambiente preservados desenvolvemse o suficiente para formar ocos nos troncos.