Cadeia citrícola permanece dividida
Ainda não foi na reunião de ontem, realizada mais uma vez na sede da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), que citricultores e indústrias de suco de laranja chegaram a um acordo sobre um reajuste emergencial dos contratos de fornecimento da fruta para a produção da bebida.
Válida para esta safra 2006/07, que já começou, a renegociação visa compensar os produtores pela disparada das cotações do suco no mercado internacional. As conversações, que vêm sendo mediadas pelo senador Aloizio Mercadante (PT-SP), candidato ao governo de São Paulo, se arrastam desde abril, em uma cansativa sucessão de avanços e reveses que, no encontro de ontem, novamente mostrou sinais de evolução.
Abrigados sob o guarda-chuva da Faesp, diversos sindicatos rurais de municípios citrícolas paulista depuraram a proposta apresentada na reunião anterior às empresas exportadoras (
Uma nova condição imposta pelas indústrias para as repactuações é que não sejam beneficiados citricultores que estejam desviando frutas contratadas para o mercado spot, onde os preços estão mais atraentes (cerca de R$ 10 por caixa) do que muitos contratos em vigor, em virtude do câmbio. "Com uma remuneração melhor não haverá desvio", afirmou Marco Antonio dos Santos, presidente do Sindicato Rural de Taquaritinga, diretor da Faesp e um dos líderes dos produtores nas negociações. Ele admitiu que os desvios estão aumentando e disse que as indústrias redobraram a fiscalização.
Ademerval Garcia, presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus) disse que o volume desviado ainda não preocupa as empresas - até porque elas vêm renegociando os contratos de seus principais fornecedores já há alguns meses, independentemente das conversas coletivas em curso.