Estoque dá estabilidade ao preço da soja nos EUA
Apenas quebra de safra pode alterar o cenário
A falta de emoções no mercado de soja não é exclusividade dos brasileiros. Por aqui, a valorização do real tirou a competitividade dos produtores brasileiros e os preços se mantêm pouco animadores.
A situação, no entanto, não é muito diferente nos Estados Unidos. Por lá, desde o início do ano, os preços ficam entre o patamar mínimo de US$ 5,70 e o máximo de US$ 6,25 por bushel (27,2 quilos) no primeiro contrato da Bolsa de commodities de Chicago.
É o que os técnicos chamam de "volatilidade baixa", ou seja, a diferença de preços entre a alta e a baixa é muito pequena. "O mercado está sonolento, sem emoções", na avaliação de Fernando Muraro, da Agência Rural, de Curitiba. Entre as causas dessa tranqüilidade, ele cita o bom abastecimento.
Os estoques na América do Sul estão próximos de 43 milhões de toneladas; nos EUA, estão em 15 milhões, com base em informações do final de junho. Na América do Sul, os estoques correspondem a 25% do consumo; nos EUA, a 22%.
"Toda vez que a relação estoques-consumo é superior a 20%, o mercado fica tranqüilo, diz Muraro. E essa tranqüilidade do mercado externo é transmitida também às negociações no Brasil. Em Paranaguá (PR), desde setembro do ano passado que a saca não tem variações superiores a US$ 1. Em reais, o valor da saca no porto paranaense gira de R$ 28 a R$ 30.
Esse cenário de tranqüilidade só será quebrado se a safra norte americana, que está em andamento, tiver problemas.
Segundo Muraro, nos próximos 60 dias, o clima vai ser "a gangorra dos preços", mas dentro da estabilidade. Mas uma eventual quebra na safra dos EUA pode dar novo ímpeto aos preços e beneficiar os produtores brasileiros, que só vão iniciar o plantio na segunda metade deste semestre.
Se as condições climáticas continuarem favoráveis por lá, o mercado vai continuar sem reação. E as informações climáticas, até agora, não são animadoras para os brasileiros.
Pelo menos 60% da soja está em fase de floração e 16% em enchimento de vagem. As condições climáticas de "boa a excelente" atingem 57% da lavoura, patamar melhor do que os 53% de igual período de 2005.
MAURO ZAFALON