Florescimento e frutificação de lichieiras (Seagri)

14/08/2006

Florescimento e frutificação de lichieiras

 

Avaliou-se o efeito do anelamento de ramos sobre o florescimento e frutificação de lichieiras ’Bengal’ com 17 anos de idade. Os tratamentos constaram de anelamento em ramos ou pernadas principais e ramos de 6; 4 e 2 cm de diâmetro, além do controle. O delineamento utilizado foi em blocos casualizados, com cinco repetições. As avaliações quanto à floração foram: percentagem de floração e comprimento de inflorescências por quadrante e árvore; quanto à frutificação, avaliaram-se: vingamento de frutos maduros por panícula, massa, diâmetros longitudinal e equatorial dos frutos, sólidos solúveis totais, época de colheita e rendimento. O anelamento nos ramos principais induziu maior florescimento, sem alterar as características das inflorescências; não houve diferenças no vingamento de frutos, mas o aumento na floração incrementou o rendimento por árvore, com significativa antecipação da colheita.

A lichieira (Litchi chinensis Sonn.) é originária da região sudeste da China, mais exatamente da província de Guangdong e norte de Vietnã. Atualmente, é cultivada em diferentes áreas subtropicais e tropicais do mundo. Considera-se a cultura como alternante, e, para anos de grande produção, o volume de fruta produzida no mundo está em torno de 2.000.000 de toneladas, sendo China, Vietnã, Tailândia, Índia, Madagascar e África do Sul os principais países produtores (Menzel, 2001;Huang, 20042).

 

A introdução desta espécie, no Brasil, deu-se por volta de 1810, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro (Carvalho & Salomão, 2000). Plantações comerciais ocorreram nas décadas de 70 e 80. Em 1997, foram registrados 347 hectares nos Estados de Minas Gerais, Bahia, Paraná e São Paulo, sendo este último o maior produtor (Yamanishi et al., 2001). Para o ano de 2004, estima-se um aumento de área cultivada em cerca de 188%, num total de 1.000 hectares com lichia no Brasil (Kawati, 20043).

Produções irregulares, associadas à pequena floração e ao baixo pegamento de frutos, são problemas importantes da cultura no mundo. A característica de alternância de produção em diversas cultivares e restrições de ordem climática são as principais causas associadas ao problema de floração (Ghosh, 2001). A lichia requer um período frio, prévio à floração. Existem evidências de que temperaturas noturnas menores de 15°C durante outono favorecem a indução floral, e temperaturas diurnas altas no mesmo período reduzem a eficiência das temperaturas baixas (Galán & Menini, 1987; Menzel & Simpson, 1995). Quando a cultura está em áreas de clima quente e grande precipitação, como acontece na Flórida-USA, ou na região centro-oeste do Estado de São Paulo, as árvores apresentam surtos vegetativos muito vigorosos, a cada dois ou três meses, em detrimento da floração (Li et al., 2001).

 

Existem referências da avaliação de diversas técnicas para contornar o problema de baixo florescimento, e o anelamento de ramos tem sido uma das mais promissoras. Na China, avaliaram o anelamento fechado e em espiral, sendo que ambos incrementaram a floração e o rendimento de árvores da cultivar Nuomici. Aumentos nos teores de açúcares solúveis e amido nas folhas também foram constatados (Li & Xiao, 2001). Sugere-se que o anelamento deva ser feito quando a brotação vegetativa desenvolvida, após a colheita dos frutos, amadurece; na Austrália, é realizado a partir dos últimos dias do mês de março, evitando-se assim novas brotações e permitindo que a gema apical dos brotos maduros seja induzida a florescer. A prática tem o efeito de interromper o fluxo de assimilados que, em condições normais, são utilizados no crescimento de ramos e raízes, porém seu efeito nas plantas, em longo prazo, ainda não é conhecido (Menzel, 2001).

 

Desta forma, o presente trabalho objetivou avaliar o efeito do anelamento sobre a floração e a frutificação de árvores de lichia ’Bengal’ no município de Taquaritinga-SP.

 

 

Florescimento e frutificação de lichieiras - Parte 2

Florescimento e frutificação de lichieiras - Parte 3