Riqueza da região é pouco conhecida
Na avaliação do especialista em fauna silvestre e geógrafo Marco Antônio Freitas, a Chapada Diamantina já era bem conhecida pela alta biodiversidade, principalmente no que se refere à flora, que vem sendo estudada desde a década de 70 e com muitas espécies endêmicas (espécies que só ocorrem em um único lugar), notadamente em campos rupestres (campos com rochas) e cerrados. Mas, segundo ele, para a fauna de vertebrados, este endemismo era pouco conhecido e evidenciado, “dando uma falsa idéia de que a Chapada Diamantina era pobre em espécies endêmicas, apesar da fauna rica e diversificada e de algumas serem ameaçadas de extinção”.
Segundo ele, até então, as únicas espécies de vertebrados endêmicas da Chapada conhecidas eram os lagartos Tropidurus erythrocephalus, exclusivo de Morro do Chapéu e Gentio do Ouro, e Tropidurus mucugensis, ambas descritas por Miguel Rodrigues, da Universidade de São Paulo, em 1987. E entre os sapos existia a pequena rã Rupirana cardosoi, gênero e espécie únicos e descrita pelo pesquisador americano Heyer em 1999.
“O mais curioso dessas espécies é que todas eram encontradas apenas nos campos rupestres”. Recentemente, em 2006, foram descritas mais duas espécies novas de pererecas, trata-se de B okermannohyla diamantina, descrita em 2006 pelos pesquisadores da Ufba Marcelo Napoli e Flora Juncá, da Universidade de Feira de Santana, na região da Serra do Barbado, em Abaíra, e a Bokermannohyla itapoty, descrita pela pesquisadora Luciana Lugli e Célio Haddad, para a região central da Chapada nos municípios de Lençóis, Andaraí, Palmeiras e Mucugê, sendo, até o momento, espécies endêmicas desta região, informou Marco.
Ainda está prevista para este ano a publicação da descrição de uma nova espécie de sapo do gênero B okermannohyla para a mesma região central da Chapada Diamantina pelos autores Luciana Lugli e Célio Haddad. “Desta forma, temos, pelo menos até o momento, quatro espécies de sapo e sete de répteis endêmicas da Chapada Diamantina, além do beija-flor-gravatinha-vermelha, Augastes lumachellus, que, até o momento, é a única ave endêmica da região”, observou o especialista Marco Freitas.