Água salgada é usada para o consumo em Capim Grosso
No povoado de Mato do Estado, a sete quilômetros de Capim Grosso, a chegada do caminhão-pipa para abastecer os três tanques públicos colocados pelo governo do Estado, desde o ano passado, é uma festa e, ao mesmo tempo, uma disputa entre as famílias da zona rural. A água, mesmo salgada, serve para o pouco gado que resta, para lavar roupas e cozinhar alimentos, e para consumo humano.
“É isso ou morrer de sede”, disse o agricultor José Mário da Silva, 33 anos, seis filhos, à espera do caminhão, em um dos tanques que estava seco, no final da manhã de ontem. Com dois tonéis plásticos numa carroça, cada um com capacidade para 50 litros, ele se queixava de que o último abastecimento foi feito no sábado. “A gente só tem essa água e ela é a nossa fonte de vida e dos animais”, disse.
Como a disponibilidade de água é quase nenhuma na localidade, o mutirão de famílias para contratar um caminhão-pipa é a solução. O agricultor Evilásio Santos de Souza, com nove filhos menores de idade, se juntou a outras 15 famílias para, toda semana, conseguir água de um caminhão-pipa contratado na cidade. A água é racionada para que dure uma semana.
A pouco mais de 300 metros dali, na casa da aposentada Francisca Maria de Paula, 65 anos e mãe de quatro filhos, ainda havia água no reservatório ao lado da casa.
Suja e meio salgada, era o que a família tinha para o consumo.
São dois tanques que aproveitam a água da chuva, mas com a estiagem de mais de quatro meses, só ficam cheios quando os amigos e parentes se cotizam para pagar R$ 80 por um caminhão-pipa. (A.F.)