Seca prejudica 35 municípios

24/01/2007

Seca prejudica 35 municípios

 

Sem água até mesmo para beber e com perdas que chegam a 100% em algumas culturas agrícolas, como o feijão e o milho, a população rural de 29 municípios que estão em situação de emergência por causa da estiagem na Bahia, vive, pelo segundo ano consecutivo, o drama da seca. Ao todo, são 35 municípios baianos onde o abastecimento de água na área rural só está sendo possível por meio de carrospipa.
Além da ajuda da Defesa Civil do Estado (Cordec) por meio do envio de carros-pipa, sete municípios contam com o auxílio do Exército, que enviou para o local carrospipa para abastecer as localidades mais distantes. A situação de emergência nos 29 municípios vem desde setembro de 2006, mas até o final do ano passado, a ajuda do governo do Estado tinha sido de pouco mais de R$ 80 mil para a contratação de carros-pipa e nenhum envio de cestas básicas de alimentos para a população da zona rural.
O secretário de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, Valmir Assunção, pediu ajuda do governo federal para aumentar o número de carros-pipa contratados pelo Exército, assim como pediu à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) o envio de cinco mil cestas básicas de alimentos.
Na avaliação que fez da seca no Estado, ele qualificou a situação como gravíssima e que requer medidas urgentes no auxílio à população.
“Independente dos programas a médio e longo prazos de convívio com a seca, é preciso uma ajuda emergencial maior, que estamos solicitando ao governador Jaques Wagner e ao presidente Lula”, disse.

SEDE E FOME – A partir de Riachão do Jacuípe, na BR-324, em direção a Jacobina ou Juazeiro, a seca já mostra os seus efeitos. No município de Gavião, é fácil encontrar gado morto na beira da estrada e a maioria das aguadas e cacimbas está secas. “O gado tem que ser trazido para a beira do asfalto, onde ainda se acha algum capim, mas lá pra dentro ele está morrendo”, disse o agricultor Gervásio Lima dos Santos, apontando em direção à zona rural do município.
O secretário Valmir Assunção explicou que por ter apenas 21 dias no cargo, ainda não tomou pleno conhecimento da situação, mas se disse preocupado com as previsões feitas por técnicos da Superintendência de Recursos Hídricos do Estado e do Instituto Nacional deMeteorologia (Inmet), que prevêem o agravamento da seca na região do semiaacute;rido baiano a partir do final de fevereiro e primeira quinzena de março.
“Estamos solicitando aos prefeitos dessas regiões que se articulem e nos informe sobre as providências que devem ser adotadas para que pelo menos minimizem os problemas”, explicou. Segundo Assunção, a Coordenação de Defesa Civil pretende estabelecer estoques de alimentos e assegurar recursos recursos para contratação de caminhõespipa, já se antecipando à situação.
“Vamos mobilizar todos os órgãos possíveis nesse sentido”, assegurou o secretário Valmir Assunção.

DRAMA – Em um dos municípios que estão em situação de emergência, Capim Grosso, a 260 quilômetros de Salvador, não há água para beber na maior parte da zona rural. São apenas cinco caminhõespipa para abastecer 12 mil habitantes na zona rural, dos 30 mil habitantes do município. Até ontem, contrariando informações do governo do Estado, que diz ter enviado ajuda, todo o trabalho de assistência à população rural está sendo feito pela prefeitura.
Conforme garante o prefeito Itamar Rios (PFL) é o município que banca a água que é levada nos carros-pipa da Barragem de Ponto Novo, a 18 quilômetros da cidade, e da Adutora da Barragem de São José do Jacuípe, esta última de qualidade ruim e imprópria para consumo humano. “É o que podemos fazer de momento, pois não dispomos de recursos para atender a todos”, disse o prefeito.
Com apenas R$ 700 mil de arrecadação mensal, o município teve perda quase que total na agricultura e hoje vive basicamente dos repasses estaduais do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e federais, do FPM (Fundo de Participação dos Municípios).
No município, aproximadamente cinco mil famílias estão cadastradas no Programa Bolsa Família, recebendo renda mensal de até R$ 90. “Isso é o que ainda garante um pouco de renda para quem vive na zona rural e perdeu tudo com a seca”, disse o prefeito Itamar Rios.