Rio cheio, mas falta água em Juazeiro
O < P align=justify> O Lago de Sobradinho registra volume útil de 76% de sua capacidade total, com as freqüentes chuvas no norte de Minas Gerais, trazendo mais água para o Rio São Francisco, com registro de vazão na casa dos 4 mil m³/s podendo chegar a 5 mil m³/s na primeira quinzena deste mês. Enquanto isso, parte da população de Juazeiro (a 500 km de Salvador), cidade ribeirinha, continua sem água nas torneiras.
Os barraqueiros da Ilha do Rodeadouro e os moradores do bairro Angary, às margens do rio, sofrem com o avanço rápido das águas em barracas e casas. Apesar disso, as reclamações se acumulam no balcão de atendimento da concessionária de abastecimento de água no município – Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE).
Ver tanta água no rio e não ter o líquido – que está tão próximo – , em casa, deixa a população cada vez mais impaciente pela demora em se resolver a situação. O problema está sendo registrado nos últimos 15 dias nos bairros Novo Encontro, Alto do Cruzeiro, Centenário, Castelo Branco, Olaria entre muitos outros.
A rotina das famílias é modificada, pois, segundo a moradora Edmara Santana Córdoba Diniz, “temos que ficar acordados quase todos os dias até de madrugada esperando a água chegar até a caixa e nas torneiras para conseguir encher as vasilha”. Na casa vizinha, na quadra D do bairro Novo Encontro, Nilton Borges da Silva assegura que passa o dia inteiro sem água nas torneiras e quando chega ainda é muito fraca.
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Tem uma torneira do lado de fora da casa que serve a duas residências e, se não fosse ela, não teríamos água em casa – afirma. Na casa dele, a mulher Taís Carvalho Ramos Borges, fala que os inconvenientes são vários e entre eles, “coisas simples como tomar banho ou escovar os dentes se transformam em dor-de-cabeça pela dificuldade de se ter água”.
No bairro Castelo Branco, as pessoas se unem às reclamações dos outros moradores e todos são unânimes em dizer que já procuraram o SAAE e não conseguiram uma resposta concreta sobre a possível solução do problema. Para os moradores de Castelo Branco, a população “merece mais respeito, pois as contas estão sendo pagas regularmente e não poderia jamais ficar acordada até a madrugada para ter direito a água”.
No Alto do Cruzeiro, os moradores estão fazendo um abaixo-assinado no sentido de demonstrar a insatisfação diante da situação de “não receber a água e continuar pagando altas contas”.
OUTRO LADO – O engenheiro do SAAE, José Oliveira, garante que está tomando previdências com troca de equipamentos para aumento de vazão da água. “Estamos monitorando todos os bairros que têm reclamado do abastecimento para tentar solucionar o problema”, afirma.
Homens e máquinas já estariam trabalhando ontem no bairro Novo Encontro para identificar o problema e, “após saber o que aconteceu, solucionar”. Assim como nos bairros João XXIII, Tancredo Neves e Castelo Branco”.
Oliveira explica que, no Parque Residencial, a situação é diferente.
Lá o problema, segundo ele, é de dimensionamento da rede de tubulação que não foi feita para suportar a pressão de consumo que aumentou no período de calor. “O projeto previa 80 litros por pessoa/ dia. O consumo está na casa de 180 litros por pessoa/ dia”, disse.
CRISTINA LAURA