La Niña atrasa contratações de apólices

10/10/2007

La Niña atrasa contratações de apólices
 


As contratações do seguro rural estão atrasadas para a safra de verão em decorrência do clima adverso às lavouras e da postergação do governo na liberação de medidas para aprovar a renegociação da dívida dos produtores rurais. Temendo prejuízos devido ao fenômeno La Niña, que pode reduzir a produção de grãos da safra 2007/08, cujo plantio atrasou-se pela falta de chuva nas regiões produtoras, as seguradoras estariam adotando uma política conservadora na contratação do seguro.


Até setembro já foram comprometidos R$ 17,1 milhões em subvenção para a safra - incluindo os R$ 5,5 milhões destinados às lavouras de inverno. Apesar de não revelar qual seria a meta para este período, o diretor do Departamento de Gestão de Risco Rural da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wellington Soares de Almeida, admite atraso na contratação. O governo tem disponível R$ 100 milhões para subsidiar o prêmio, valor que deve ser gasto até dezembro. O que foi liberado até agora corresponde a 8.163 mil apólices.


Os R$ 17,1 milhões subvencionados até o momento representam, segundo Almeida, uma importância segurada de cerca R$ 700 milhões da produção agrícola da safra, ou seja, menos de 10% da meta do governo. A intenção é atingir neste ano capital segurado de R$ 9 bilhões. Em todo 2006, ano que a subvenção do governo federal efetivamente "deslanchou" foram liberados R$ 31 milhões em subvenção.


O diretor comercial da Seguradora Brasileira Rural (SBR), Geraldo Mafra, confirma que as seguradoras estão cautelosas na liberação de apólices, temendo prejuízos com os sinistros, diante do clima adverso às lavouras. "É necessário fazer uma avaliação para não assumir o risco de uma contratação sinistrada", diz. Segundo ele, a SBR já constatou de uma a duas ocorrências de sinistro na cultura de uva por conta das chuvas de granizo no Rio Grande do Sul. Ele não quis revelar o valor das indenizações.


A medida das seguradoras - de protelar as contratações - está provocando insatisfação nos agricultores do Rio Grande do Sul e Mato Grosso, que criticam o elevado valor do prêmio - mesmo recebendo subsídios do governo de 50% do valor do seguro rural.
O presidente da Associação de Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Glauber Silveira Silva, diz que o seguro está longe da realidade da agricultura brasileira.


Para o presidente da Comissão de Crédito Rural da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Elmar Konrad, o seguro rural no Brasil ainda não saiu do papel. "O seguro rural só existe na teoria. Na prática, não existe", diz. Konrad criticou o desinteresse das seguradoras de reter o seguro para a soja e milho. "A única opção de seguro que temos hoje é o Proagro para o trigo", disse.


O coordenador de seguro do ministério, Eustáquio Santana, confirma que no Rio Grande do Sul não tem oferta de seguro para a soja e arroz, além do milho. "Não houve acordo com as resseguradoras porque o risco (climático) de lá é elevado".