Milho e trigo terão mais área na safrinha
São Paulo, 12 de Dezembro de 2007 - O vazio sanitário da soja no Paraná, que começa a valer no próximo ano, deve aumentar a área de milho ou trigo safrinha no estado. Isso porque os 77 mil hectares cultivados e colhidos na safra 2006/07 com soja safrinha não poderão mais ser plantados em 2008, o que exigirá do produtor a migração para outra cultura. O vazio, instituído pela Secretaria de Agricultura do Paraná, proíbe o plantio da oleaginosa entre 15 de junho e 15 de setembro.
Mesmo pequena perto da safra de verão (3,9 mil hectares), a safrinha de soja no Paraná vinha crescendo, estimulada pelos preços altos do grão. A produção na safra 2007/08 foi de 124,6 mil toneladas, volume recorde no estado para a safrinha. No ano anterior, a área colhida foi de 48,2 mil hectares, também maior que a safra 2004/05 (27,8 mil hectares), segundo informações do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral).
O cultivo da soja safrinha vinha ocorrendo nas regiões mais quentes do estado, sobretudo no Norte e Oeste. Para Fábio Barros, da AgraFnp, a melhor alternativa para a safrinha é o milho, que também está com preços remuneradores.
Além dos preços, o milho tem menor risco climático do que a safrinha de soja, explica José Antônio Borghi, presidente do Sindicato Rural de Maringá. "Há outras opções, tais como trigo e aveia. A soja safrinha foi motivada pelos preços bons do grão, principalmente, neste ano. Mas, neste momento, a melhor viabilidade é para o milho, tanto em preços, quanto em risco (custo menor), e do ponto de vista epidemiológico, pois quebra a seqüência de multiplicação do fungo da ferrugem", explica Borghi.
Segundo levantamento da divisão de Soja da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) as perdas em grãos provocadas pela ferrugem asiática da soja foram de 4,5% da safra total em 2006/07, o equivalente a 2,67 milhões de toneladas de grãos ou U$ 615,7 milhões - considerando o preço médio de U$ 230,6 a tonelada de soja. Somando-se o custo da operação de controle, cuja média nacional ficou em 2,3 aplicações por hectare, o custo total da ferrugem asiática na safra 2006/07 foi de U$ 2,19 bilhões.
O vazio sanitário, período de 90 dias sem o cultivo de soja durante a entressafra, é uma medida adotada nos estados produtores de soja para reduzir a incidência da ferrugem, um fungo de difícil combate e que provoca perda de produtividade e aumento nos custos de produção. A resolução que instituiu a medida no Paraná é a 120/2007, e foi publicada dia 17 de outubro.
Em 2006, o vazio foi implantado em Mato Grosso e em Goiás, em 2007, foi estendido para Mato Grosso do Sul, Tocantins, São Paulo, Minas Gerais, Maranhão e, agora, para 2008, o Paraná.