Campanha foca pequeno criador

03/03/2008

Campanha foca pequeno criador

 

Os pequenos criadores serão foco de ação contra aftosa. A diretorgeral da Agência Estadual Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Altair Santana, disse que a campanha contra a febre aftosa no Estado, que oficialmente começou, ontem, com um dia de campo, na fazenda João Paulo II, em Itabuna, vai tentar fechar o cerco contra os 3% de criadores que estão inadimplentes e não permitem que a Bahia atinja 100% de cobertura vacinal contra a doença. Segundo ele, esses 3% são pequenos produtores, responsáveis por 60% da criação de bovinos e bubalinos. Hoje a Bahia tem um rebanho de 11.275 de cabeças, das quais 600 mil estão na região cacaueira.

Para Altair Santana, falta conscientização e não recursos aos pequenos criadores, por isso as duas etapas da campanha este ano serão feitas com dias de campo, para conscientizá-los. Ele diz que a vacina custa em torno de R$ 1,25 e grande parte desse pessoal tem menos de 50 cabeças. “O que se gasta para vacinar é pouco, perto do valor de uma cabeça de gado”, diz o diretor da Adab, que não vê como boa política a doação de vacinas. Doação só a criadores de comunidades quilombolas e indígenas, pela dificuldade e até risco de chegar a elas, por isso a Adab conta com o apoio dos movimentos de sem terra e da Funai.

Segundo ele, é preciso forçar e conscientizar os pequenos a vacinar, por isso os técnicos da Adab fazem a vacinação assistida, indo ao local. Melhor vacinar, que pagar uma multa de 50 UFIR por animal e 150 UFIR por propriedade inadimplente. Para isso, os técnicos contam com o apoio de grandes e médios produtores, que sabem onde estão os focos de resistência. Muitos dos grandes criadores até doam a vacina ao pequeno, por prevenção, porque basta um animal doente para que o vírus da doença comprometa todo rebanho.

Altair destaca que a Bahia está livre da aftosa há 11 anos. Os organismos internacionais exigem 90% de cobertura vacinal, mas é preciso chegar aos 100% para não correr riscos. O controle de tráfego de animais nas barreiras sanitárias ajuda, mas não são 100% eficientes, e a Bahia tem extensas fronteiras com Estados de alto risco de aftosa, como Piauí, Alagoas e Pernambuco, segundo Altair Santana.

A Bahia ainda não é exportador de carne para o mercado internacional, segundo Altair Santana, porque o produtor ainda não está investindo para se habilitar.

Por enquanto, o produtor baiano só exporta sêmem ou embriões.

Apenas dois grandes frigoríficos estão autorizados a exportar, um de carne bovina e outro de aves, mas o governo se propõe a investir em indústrias para ser um dos maiores exportadores brasileiros.

“Nós precisamos estar aptos para enfrentar a briga por mercados, que é econômica e não sanitária”, diz Altair Santana. Ele destaca que, ao exigir rastreabilidade do rebanho brasileiro, a comunidade européia está usando a aftosa como barreira comercial, que pode atingir vários produtos agrícolas. Para o diretorgeral da Adab, o que os europeus querem não tem cabimento.

“Eles não têm área e criam gado confinado, em sistema intensivo, com maior risco para disseminação de doenças. No Brasil a criação é extensiva, em grandes áreas, muito difícil de rastrear”, afirma Altair Santana