Frutas que conquistam paulistas
O sabor diferenciado das frutas baianas, que já conquistou mercados exigentes na Europa e América do Norte, está agora alcançando os Estados de São Paulo eMato Grosso e o Distrito Federal por meio de centrais de negócios dos supermercados da Associação Paulista de Supermercados (Apas) e atacadistas nesses centros de consumo.
Graças à ação integrada das áreas de mercado e agronegócios do Sebrae na Bahia, dentro do Projeto Comércio Brasil, produtores das cooperativas de Bom Jesus da Lapa e Itaberaba faturaram R$ 710,4 mil, de julho a dezembro do ano de 2007, com a venda da banana e abacaxi.
O abacaxi é produzido pela Cooperativa dos Produtores de Abacaxi de Itaberaba (Coopaita) e a banana vem da Cooperativa de Produtores de Frutas de Bom Jesus da Lapa (Coofrulapa).
Representantes das duas cooperativas foram até a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) e também à Associação Paulista de Supermercados (Apas) conhecer o mercado de São Paulo. Com as informações obtidas nessa missão, os produtores foram capacitados quanto às exigências para comercialização dos produtos.
Foi feito um acerto para que os atacadistas comprassem diretamente dos produtores, eliminando assim a figura do intermediário.
Além disso, a idéia é profissionalizar o setor.
Para este ano, a intenção do Sebrae é ampliar o trabalho com outras cooperativas do Estado, desde que elas estejam preparadas e com produtos de qualidade.
“Vamos continuar prospectando outros mercados para a banana e o abacaxi, a depender do volume de produção das duas cooperativas”, afirma o consultor do Sebrae, Aldir Parisi.
CERTIFICAÇÃO – O lançamento, semana passada, em Salvador, do projeto de certificação de frutas para o setor supermercadista também demonstra que o Brasil pretende investir na qualidade dos produtos que vão à mesa do consumidor.
Com o sistema Produção Integrada de Frutas (PIF), de certificação de frutas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), todo o processo produtivo das frutas será contemplado, para que o consumidor leve para casa um alimento saudável e de melhor qualidade, reduzindo em até 50% o uso de fertilizantes em culturas como o melão, por exemplo, e aumento de até 10% na produtividade.
José Maurício de Andrade Teixeira, coordenador de produção integrada da Divisão de Fruticultura do Ministério da Agricultura, disse que os benefícios do PIF para o mercado brasileiro – desde a produção até o consumidor final – vão desde a organização da base produtiva, valorização do produto, até a sustentabilidade e permanência nos mercados atuais e conquista de outros mais exigentes. Por isso, o programa é prioridade estratégica do Mapa, que já investiu R$ 25 milhões desde o lançamento, há dez anos, no Rio Grande do Sul, a partir da cultura de maçã.
A Bahia é o segundo Estado do Brasil a implantar o projeto piloto de certificação de frutas. Duas fazendas de frutas cítricas – uma em Inhambupe e outra em Rio Real – já estão certificadas. No extremo sul, a produção de mamão já possui selo de qualidade PIF em três produtoras da região.
CURSO – De hoje até o dia 7, a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical (Cruz das Almas/BA) realiza o I Curso sobre Processamento de Frutas Tropicais. A meta é capacitar multiplicadores em processamento de frutas (caju, banana, manga, goiaba) e orientar industriais, empreendedores na área de processamento de frutas e professores sobre a importância das boas práticas de fabricação.
No Brasil, 30 a 40% da produção agrícola é perdida na cadeia produtiva devido a falhas cometidas durante a colheita, armazenamento, transporte, comercialização e até mesmo pelo desperdício na casa dos consumidores.
“O processamento de frutas traz como vantagem a possibilidade de aproveitamento dos excedentes de produção”, diz Eliseth Viana, da Embrapa.