A mulher urbana que preferiu o semi-árido
As histórias de vida ajudam a compreender o sucesso de trabalhos árduos, como o desenvolvido pelo Instituto de Permacultura da Bahia (www.permaculturabahia.org.br). A coordenadora Cinara Sanches revela com sua trajetória a dimensão da doação ao que faz. Há oito anos, Cinara era apenas uma agrônoma paulista, considerada de sorte entre os colegas por ter conseguido um emprego com boa remuneração, enquanto a maioria deles estava desempregada.
O trabalho dos sonhos dos colegas, no entanto, angustiava Cinara.
Obrigada a usar venenos em plantações para garantir escala de produção, a agrônoma começou a entender que o salário não era tudo. Em meio ao dilema de vida, Cinara leu, em uma revista qualquer, uma matéria sobre a permacultura.
Como o próprio site do instituto define, trata-se de “uma reunião de conhecimentos de sociedades tradicionais com técnicas inovadoras, com o objetivo de criar uma ‘cultura permanente’, sustentável, baseada na cooperação entre homem e natureza.
Cinara ficou encantada. Na época, existiam dois institutos de permacultura no País. Entrou em contato com ambos, mas só o da Bahia lhe deu retorno. “Uma das minhas missões é ajudar as pessoas a realizarem os seus sonhos”, ouviu de Marsha Hanzi, responsável pela introdução do conceito de permacultura no País, e que escolheu a Bahia para começar sua trajetória.
Cinara acumula reconhecimentos de peso ao trabalho, como o prêmio de Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil, recebido em novembro último.
“Não acredito em quem toma para si a responsabilidade por um sucesso. Ninguém conquista nada sozinho”, ensina.