Produtores debatem crise
Produtores da Bahia aproveitaram a reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Agronegócio do Cacau, ontem, em Brasília, para denunciar a crise gerada pelo endividamento do setor. Henrique Almeida, presidente da Associação dos Produtores de Cacau (APC) da Bahia, disse no encontro realizado no Ministério da Fazenda que “a dívida monstro” há 20 anos tira o sono dos cacauicultores.
Ele informou que enviará aos mais de 20 membros da câmara setorial, da qual fazem parte o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), entre outras entidades, a contraproposta dos produtores na renegociação global dos passivos rurais com a União.
Gustavo Moura, diretor-geral da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), destacou a forte relação entre o cacau e a região sul da Bahia. Os ministérios da Fazenda e da Agricultura esperam concluir a proposta para renegociação dos débitos do cacau, com descontos e novos prazos, até a próxima quintafeira.
CLASSIFICAÇÃO – Apesar de técnicos agrícolas e da indústria do chocolate terem comemorado a aprovação pela câmara setorial de normas de classificação das amêndoas de cacau, o equacionamento da dívida dos cacauicultores foi apresentado como tema urgente.
“Sou um leigo em cacau, embora represente o pólo produtor de Ilhéus.Mas é impossível não perceber que o produtor empobreceu desde o surgimento da vassoura-de-bruxa e o governo precisa se sensibilizar para salvar a lavoura cacaueira”, disse o deputado Raymundo Veloso (PMDB-BA).
PADRÃO NACIONAL – A nova classificação das amêndoas deverá criar um padrão nacional de qualidade e ampliar o aproveitamento da produção atual, que tinha desperdícios por falta de parâmetros seguros. A produção de 2007 foi de 138 mil toneladas de amêndoas de cacau, liderada pela Bahia com 103 mil toneladas, seguido do Pará com 28 mil.