Ministério espera retomada de venda de carne à Europa

06/06/2008

Ministério espera retomada de venda de carne à Europa

 


O Ministério da Agricultura espera que o Brasil retome, até o fim do ano, o volume de exportações de carne bovina para os países da União Européia, que foram reduzidas substancialmente após as restrições impostas pelo bloco ao produto brasileiro. "Estamos muito aquém das nossas potencialidades e queremos estar com o fluxo restaurado ao fim deste ano", disse Inácio Kroetz, secretário de defesa agropecuária do ministério, que participou, ontem, da reunião do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Argicultura (Conseagri), realizada durante a Superagro Minas 2008, em Belo Horizonte. 


Antes da imposição das restrições, 7.200 propriedades rurais do país estavam habilitadas a fornecer animais para abate para exportação à UE. Esse número caiu e é de apenas 95 atualmente. Para recuperar um fluxo mais significativo com os países europeus, seria necessário o credenciamento de pelo menos três mil fazendas, estimou Kroetz. 


A recuperação do volume de exportações, entretanto, não será tarefa fácil, de acordo com avaliação do secretário de Agricultura de Minas Gerais e presidente da Conseagri, Gilman Viana, uma vez que poucos pecuaristas têm demonstrado disposição para credenciar suas fazendas junto ao ministério. 


"Há uma baixa demanda para as auditorias", disse Viana. "Só em Minas Gerais, temos capacidade para auditar 200 propriedades por mês, mas não vou ajudar quem não quer ser ajudado", acrescentou o secretário estadual da Agricultura. 


Para Viana, o baixo número de pedidos para auditoria, passo essencial para abrir o mercado europeu aos pecuaristas nacionais, é resultado da confluência de dois fatores. De um lado, as empresas de certificação não estão estruturadas para o trabalho de avaliação das propriedades e dos rebanhos e, de outro, grande parte dos pecuaristas não reúne condições para serem auditados. 


Essa "suspeita", como fez questão de frisar Viana, foi compartilhada pelos representantes dos Estados exportadores que participaram do encontro de ontem do Conseagri. Ele assinalou que as empresas de certificação registradas no Ministério da Agricultura, que já chegaram a 100, totalizam hoje apenas 42. 


Medidas para tentar acelerar as auditorias estão sendo tomadas pelo Ministério da Agricultura. Uma delas, informou Kroetz, busca descentralizar decisões, delegando aos Estados ações de credenciamento e de auditoria. Também foram patrocinados cursos de treinamento, que já abrangeram, até agora, cerca de 200 fiscais do ministério e de órgãos estaduais. "As fiscalizações começaram há 14 dias e esperamos dar maior velocidade ao aumento dos pedidos de auditoria", disse o secretário.