Algodão segue para São Paulo

07/07/2008

Algodão segue para São Paulo

 

Carretas lotadas de algodão em pluma (sem o caroço) estão saindo do Vale do Iuiú, no sudoeste baiano, com destino a São Paulo. Cada uma delas carrega 25,5 mil quilos do produto, o equivalente a 130 fardos de algodão. No total, o município é responsável pelo envio, nest,a temporada, de 229,5 mil quilos de algodão.

Fazendo as devidas contas, o resultado são R$ 685,5 mil que serão repartidos entre os agricultores, a depender de quanto cada um colheu. Quanto ao caroço, o saldo chega a R$ 60 mil, que também vão parar no bolso dos produtores. O próximo destino das carretas com o algodão baiano é o Estado da Paraíba.

A região retomou o cultivo do algodão e garante, agora, trabalho e renda para cerca de 300 agricultores familiares assistidos pelo Programa de Desenvolvimento Sustentável da Cotonicultura no Vale do Iuiú, executado pela Secretariada Agricultura (Seagri), através da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA). Criada em 2002, a iniciativa está em sua quinta versão e contacom um investimento de R$ 3,5 milhões na safra 2007/2008.

APOIO - A EBDA ofereceu toda a assistência técnica necessária aos agricultores de oito municípios da região conhecida como Vale do Iuiú - Malhada, Iuiú, Palmas de Monte Alto, Guanambi, Pindaí, Urandi, Brumado e Livramento de Nossa Senhora.

Num total de área plantada de 2.100 hectares, a produtiVidade média de cada agricultor foI de 130 arrobas por hectare na safra 2007/2008. No intermédio do processo, estão 32 associações de produtores e 80 técnicos da EBDA. Em busca do melhor entendimento possível com os homens do campo, também foi criado comitê gestor formado por representantes das cidades.

A cada agricultor é entregue um kit tecnológico que garante técnicas modernas de preparo do solo e subsolagem, semente certificada, fertilizantes, defensivos agrícolas, pulverizadores, pluviômetro e equipamento de proteção individual etc.

BENEFICIAMENTO - Cada agricultor cultiva três hectares de terra e, geralmente, utiliza a mão-de-obra familiar. Além da assistência técnica, a EBDA se tornou um catalisador do processo, passando a administrar o beneficiamento e a comercialização do algodão, evitando que os produtores fiquem reféns dos atravessadores. Os resultados são festejados pelo agricultor Aureliso Costa de Jesus, que colheu, nesta safra, 120 arrobas em Canabrava, distrito de Malhada.

"O kit tecnológico oferecido pela EBDA realmente funciona. Coni a orientação, consegui uma produtividade maior, o que deverá me render R$ 1,8 mil a R$ 2 mil por hectare nesta safra", diz.

"A idéia é consolidar esse processo, gerando não apenas renda para os produtores, mas também conhecimento técnico-científico, pesquisa e desenvolvimento na região", afirma o engenheiro agrônomo Ernesto Ledo.

ACORDO - No total, o programa beneficia 700 agricultores familiares: Deste montante, 300 assinaram contrato com uma usina em Guanambi. Segundo o acordo, a usina fica responsável pela distribuição da sacaria, transporte e armazenamento do produto. O produtor, então, paga ao usineiro70% do caroço produzido e fica com os 30% restantes mais o algodão em pluma para livre comercialização.

O algodão colhido na roça é levado para a usina em caminhões com cerca de 650 sacos cada. Lá, o algodão em pluma é separado dos caroços e, em seguida, vêm as fases do beneficiamento e da comercialização.

O corretor de algodão Carlos Diniz, responsável pela com pra e venda do produto final, esteve presente ao carregamento das carretas que deixaram Guanambi e atestou a qualidade do algodão transportado. "O produto atende às exigências da indústria têxtil no que se refere à qualidade, uniformidade e ausência de con~aminação", explica.

Diniz verificou que existe o cuidado para que o algodão beneficiado não seja contaminado por outras substâncias, como pena de galinha, pêlo de cachorro, dentre outras impurezas.

"Percebemos ainda que não há contaminação pelo polipropileno, decorrente da sacaria inadequada", informou.

PRAZOS - Os produtores do Vale do Iuiú têm até o dia 31 de agosto para colher todo o algodão que ainda resta em suas plantações. Depois disso, em outubro, começa a nova safra (2008/2009) e todo o processo se reinicia. É quando os agricultores põem a semente na terra novamente e esperam que a chuva ajude na pró
xima colheita. .

A região de Guanambi já chegou a ter 330 mil hectares de área plantada na década de 80. Depois de uma fase de decadência, manteve a marca de 130 arrobas por hectare e está atrás do oeste baiano, que contabiliza 310 mil hectares de área plantada e uma produtividade média de 300 arrobas por hectare.

A Bahia, hoje, é o segundo maior produtor de algodão do País, atrás apenas de Mato Grosso, que possui mais de 500 mil hectares de área plantada.