Vendas internas permanecem estáveis

07/11/2008

Vendas internas permanecem estáveis


São Paulo, 7 de Novembro de 2008 - A escassez de crédito ainda não provocou mudanças significativas no mercado de máquinas agrícolas para o mercado interno em outubro. Nesse período foram negociadas 5,45 mil unidades durante o mês, número 0,3% inferior à setembro, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). No entanto, na comparação com o mesmo período de 2007, o crescimento foi de 28,8%.

As vendas de tratores de rodas acompanharam o movimento de queda e atingiram 4,29 mil unidades, recuo de 0,1%. Mesmo assim, o número é 25% maior. Embora ainda não tenha sido contabilizada nas vendas, a retração no crédito já desperta a preocupação do setor. A dificuldade na liberação de novos financiamentos é vista pelo setor como o principal entrave para o bom andamento das vendas.

"A estabilidade do setor não significa que estamos tranquilos. Acompanhamos com lupa tudo o que acontece no mercado", observa Milton Rego, vice-presidente da Anfavea. Ele explica que mesmo com a queda nos preços das commodities, a valorização do dólar favoreceu o equilíbrio dos preços e ajudou a manter a demanda aquecida. Segundo disse, o crédito será o grande entrave para o setor daqui para a frente "Mas o governo está atuando de maneira positiva e anuncia novas medidas praticamente toda semana", completa.

Luiz Feijó, diretor comercial do New Holland, uma das maiores fabricantes de tratores de rodas, explica que a empresa não projeta grandes reduções para o fim do ano. "Está tudo dentro do normal", explica. Ele também confirma que os problemas com crédito afetaram o setor, mas as vendas estão normais.

"Sempre tivemos uma postura de muita cautela em relação ao mercado em virtude de problemas que vivemos em outros anos", argumenta. Ele explica que mesmo diante de uma situação complexa, grandes cortes não podem ser feitos de uma hora para outra. Feijó acrescenta que para os próximos dois meses as vendas de tratores serão menores por causa da fase de plantio.

"É um período em que os produtores reduzem as compras. Eles esperam até janeiro e se preparam para a colheita".

Milton Rego acredita na superação da meta projetada. No início do ano, a associação previa um volume de 48 mil unidades negociadas no ano todo. Em virtude do bom momento do setor, essa meta foi revista para 53 mil unidades em meados deste ano. No acumulado do ano, foram vendidas 46,45 mil unidades, incremento de 45,8% em relação à 2007. O representante da Anfavea diz que uma nova renegociação de dívidas também pode tirar o fôlego do setor.

"Isso reduziria mais a oferta de crédito"