Derivados são utilizados na indústria automobilística
Um dos grandes entraves vividos na cadeia produtiva do sisal é o baixo aproveitamento da fibra.
Atualmente, apenas 5% da planta que é desfibrada nos motores é aproveitada para a fabricação de cordas e tapetes. No entanto, os produtores locais já vislumbram mercados e outras funcionalidades para o "ouro verde do Sertão".
Em Retirolândia, a 220 quilômetros de Salvador, uma pequena associação formada por 25 mulheres da região é responsável pela fabricação de artefatos como bolsas, porta-retratos, esponjas e acessórios.
A idealizadora do projeto, Liane Mota Araújo, ressalta a importância da função social da associação, "pois muitas das mulheres que estão envolvidas na atividade sequer tinham ocupação."
Suplemento alimentar – O secretário da Agricultura do município, Luiz Junior, que também é engenheiro agrônomo, destaca a iniciativa de alguns pequenos agricultores que desenvolveram na região uma espécie de gaiola que separa o silo da forragem.
"Em algumas propriedades, a silagem já é aproveitada como suplemento alimentar para bovinos, ovinos e caprinos e a forragem também conta com inúmeras potencialidades, entre elas a fabricação de pequenos objetos", explica.
Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Fibras Vegetais do Estado da Bahia (Sindifibras), Wilson Andrade, é fundamental que a área de pesquisa seja aprofundada para utilização do suco do sisal, que representa 75% do peso da planta.
"Junto com o Governo do Estado, já temos pré-aprovado um financiamento de US$ 1 milhão e a nossa meta é conseguir utilizar 100% da planta, no médio prazo, o que está bem encaminhado", diz Andrade.
Uso industrial – Outro fator importante é o aproveitamento do sisal nas indústrias automobilística, aeronáutica e náutica, além de gabinetes de computadores e liquidificadores, em substituição à fibra de vidro e plástico.
Na avaliação de Andrade, isso é muito importante para o meio ambiente, pois a fibra natural pode ser reciclada até cinco vezes, o que não acontece com a fibra artificial.
Na prática, isso já está acontecendo na indústria de automóveis. Segundo o coordenador do projeto de uma montadora na Bahia, Leandro Afonso, a utilização da fibra de sisal gera impactos positivos, como a redução de custos no processo de fabricação das peças e do consumo de combustível dos veículos, assim como a redução dos preços dos carros.
"Esse projeto está sendo levado para mercados como Estados Unidos e Japão", revelou. O carro conceito, que utiliza fibra de sisal em lugar de fibra de vidro, foi apresentado pela Ford no Salão do Automóvel 2008, realizado este mês, em São Paulo.