Estado vai investir R$ 80 mi em ações para alavancar produção baiana de sisal
Desafio: um dos principais sustentáculos econômicos da região semi-árida, o sisal apresenta baixo índice de aproveitamento da fibra
Mesmo com a maior produção de sisal do país, algo em torno de 91%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Bahia nunca teve um programa amplo direcionado para a cultura em mais de 100 anos.
A falta de acompanhamento da produção, assistência técnica e profissionalização do setor sempre foram considerados os principais entraves para a dinamização da cultura sisaleira do nordeste baiano.
Diante desta situação, o Governo do Estado, por meio das secretarias da Agricultura (Seagri), do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) e de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), resolveu desenvolver um plano para a atividade que emprega mais de 700 mil pessoas, em 35 municípios.
Desfibramento – Até 2010, serão investidos R$ 80 milhões em quatro áreas consideradas estratégicas para a produção da fibra, como a defesa sanitária, pesquisa e inovação, mercado e empreendedorismo e segurança do trabalho.
É exatamente a área de segurança do trabalho uma das que mais preocupam as autoridades baianas. Com máquinas de desfibramento que possuem mais de 60 anos de uso, o oficio de desfibrador é um dos que mais perdem mão-de-obra todos os anos.
Segundo levantamento de sindicatos e associações de produtores de municípios como Conceição do Coité, Valente e Retirolândia, o envelhecimento dos operários e a perda de trabalhadores, vítimas de mutilações, têm reduzido anualmente o número de operários nos motores.
Novas máquinas – Essa realidade levou a Secti a firmar parceria com o Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal da Bahia para a fabricação de novas máquinas que priorizam a segurança dos trabalhadores.
Segundo o representante da Secti no arranjo socioprodutivo do sisal, Robson Andrade, os investimentos na modernização do maquinário, formação de agentes de segurança do trabalho, certificação e distribuição de batedeiras comunitárias, além de campanhas contra o trabalho escravo e infantil, são de, aproximadamente, R$ 2,8 milhões.