Palhada de algodão, de refugo a fonte de renda
Cavacos de madeira são "commodity", ao menos na queima necessária para a secagem da soja, principal produto agrícola de Alto Araguaia. Veio a Agrenco com o projeto de queima de braquiária e com o plantio de capim elefante, que também seria queimado - embora este não tenho sido levado adiante. Veio, então, a idéia de tacar fogo na palhada do algodão.
Depois da colheita da pluma, o usual, segundo Paulo Serafim, presidente do Sindicato Rural da cidade, é passar a roçadeira no campo, misturar a palhada com a terra fazer adubo orgânico disso. "Faz uns 60 dias que resolveram trabalhar com a palhada. O povo está gostando. Dá um fogo bom", diz.
Em Alto Araguaia, há cerca de 3 mil hectares dedicados ao cultivo do algodão. Consegue-se até 5 toneladas de palhada por hectare, que tem sido negociada por R$ 65 a tonelada. O custo do cavaco de madeira está acima da centena de reais. Um caminhão carregado com o material dá uma receita bruta de cerca de R$ 1 mil. Para plantadores que recitam custos e receitas em um jogral que sempre rima com "ões", parece pouco. Mas é melhor que nada.
Com a Agrenco na cidade, os produtores também passaram a se familiarizar com o crambe, oleaginosa em forma de um grão minúsculo com a qual se consegue extrair até 40% de óleo. O teor de óleo da soja é de 18%.
Foi plantado crambe em 300 hectares com a finalidade de produção de sementes, em projeto desenvolvido com a Fundação MS, empresa de pesquisa agrícola de Mato Grosso do Sul. Já se sabe o teor de óleo, mas a oleaginosa ainda soa "cambe", "crambre", "cambre" na voz dos não-iniciados. (PC)