Forte adesão à rolagem de dívidas do cacau

17/11/2008

Forte adesão à rolagem de dívidas do cacau


 

Encerrado o prazo para adesão ao Plano de Aceleração do Desenvolvimento e Diversificação do Agronegócio da Região Cacaueira da Bahia, o "PAC do Cacau", produtores e bancos trabalham agora na confecção dos contratos da renegociação das dívidas antigas dos cacauicultores. Segundo números ainda preliminares, a adesão ao programa de refinanciamento dos débitos chegou a cerca de 80%. Os débitos totais são de R$ 700 milhões.

o prazo de adesão, na última sexta-feira, Banco do Nordeste (BNB), Banco do Brasil e Desenbahia, a agência de fomento do governo baiano, vão analisar a documentação dos produtores que se candidataram ao refinanciamento. Os contratos ser confeccionados a partir de dezembro, segundo Delci Andrade dos Santos, gerente geral do Banco do Nordeste em Itabuna e coordenador do programa na instituição.

O prazo para produtores interessados em renegociar seus débitos era até 30 de setembro, mas houve prorrogação até a última sexta-feira. Segundo Santos, é possível que um prazo adicional seja estipulado, mas não há nada oficial. Na Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), não havia, até sexta-feira, informação de uma nova prorrogação. "Esses 80% são um bom nível e ficaram até acima da expectativa", afirma Santos.

Eram cerca de 9 mil débitos aptos a aderir ao programa de refinanciamento, que continham dívidas que iam "de R$ 5 mil a R$ 5 milhões", diz o coordenador - embora, segundo ele, cerca de 95% sejam de débitos inferiores a R$ 200 mil. As dívidas antigas foram feitas com o BNB, a Desenbahia e o Banco do Brasil. No refinanciamento, serão elaborados contratos em nome do Banco do Nordeste, o que eliminará os débitos com a agência baiana e o BB. "Quem devia à Desenbahia ou ao Banco do Brasil passa a ter dívida com o Banco do Nordeste", diz Santos.

Os débitos serão rolados por 12 anos, com quatro anos de carência e descontos que podem chegar a 80%. O PAC do Cacau prevê investimentos de R$ 2,5 bilhões na cultura ao longo de dez anos. Os recursos serão utilizados também em pesquisa, incentivo à comercialização e incentivo à diversificação de plantio.

O Brasil já foi o maior produtor mundial de cacau, com produção concentrada no litoral sul baiano. O ataque da vassoura-de-bruxa, a partir de 1989, abateu o cultivo e fez a produção cair de 400 mil para cerca 150 mil toneladas no Estado.