Comerciantes lamentam prejuízos
Além da agricultura, as notícias negativas também tem afetado restaurantes, pousadas e hotéis. A dona de restaurante Soledade Teixeira Oliveira, que há 18 anos trabalha no ramo, diz que nunca passou por situação semelhante nesse período. “O povo desapareceu. Quem vem aqui até que almoça, mas não bebe água da torneira”, queixa-se. A comerciante relata que antes de o caso ganhar repercussão servia cerca de 200 refeições por dia, contra 50 pratos no atual período.
Os donos de estabelecimentos similares ao longo da Mulungu, nome popular da Avenida Waldick Soriano, principal acesso da cidade e passagem obrigatória de turistas do Centro-oeste País, não param de lamentar prejuízos acumulados nos últimos dias. “A gente não sabe o que fazer, pois as festas de fim de ano estão chegando e muita gente vai passar direto, buscando refeição e pousada em outras cidades”, observa o empresário Gilvan Ribeiro.
“Nosso movimento caiu pela metade. Isso aqui quando era onze horas estava lotado, agora é isso aí que vocês estão vendo, um ou outro cliente na mesa”, aponta. “Esse reflexo negativo está em toda a cidade. Um ou outro não reclama, mas a grita vai ser geral daqui a uns dias”, prevê.
FRONTEIRAS – Os efeitos da rejeição a produtos e serviços estendemse, anda, aos distritos dos municípios limítrofes de Lagoa Real e Livramento de Nossa Senhora. “A gente está levando pedrada igual passarinho”, diz o criador Waldemar Santos, radicado no distrito de São Timóteo, zona rural de Livramento.
“A gente cria o gado, engorda, mas na hora de vender não encontra comprador porque o povo está com medo até da carne”, conta. A produção de leite passa pela mesma situação. “O consumo cais mais de 80% em Lagoa Real e já tem muita gente jogando fora pois não acha quem aceite”, intervém José Ribas.
Enquanto a situação não se reverte, com mais esclarecimentos à população, o medo impera e, com ele, o elevado consumo de água mineral, cujo crescimento é de 40% em toda a região.
“É uma situação muito desconfortante e já estudamos a adoção de campanhas para reverter este episódio”, sintetizou o secretário municipal de Recursos Hídricos, Júlio César Teixeira Ladeia. A mesma opinião tem a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), entidade com 120 associados. ( J.S.)