Sul: destino da mandioca
Com as altas temperaturas, raiz poderá desaparecer do semi-árido
A mandioca resiste bem às altas temperaturas, exige pouco trato, por isso é tão atrativa para os pequenos produtores do Nordeste brasileiro. As temperaturas altas são fundamentais para um bom rendimento da raiz. Mesmo assim, a ameaça do aquecimento global deixa em alerta os produtores baianos. Se nada for feito, temem que esta nova realidade comprometa a produção no Estado, a segundo maior do País.
Como aquecimento global, o cultivo de mandioca, cujos maiores produtores estão concentrados no Recôncavo e semiárido baianos, pode migrar para o Sul do País e a Amazônia em busca de melhores condições de plantio. O Recôncavo tem grande representatividade com a cultura por ser uma região rica e fértil. Portanto, a diminuição de área plantada e de produção já preocupa os pequenos produtores frente aos novos desafios que terão em 2020.
Traduzindo em números, a perda de área da mandioca deve ser de 3,1%, com um prejuízo de R$ 137 milhões já em 2020, ocasionado pelo aumento do calor. Nas décadas seguintes, a situação melhora para a raiz, que encontrará áreas mais favoráveis no Sul do País por conta da redução do risco de geada e na Amazônia, pela diminuição do excedente hídrico. O aumento da área apta começa com 7,29% em 2050, chegando a 16,61% em 2070. O avanço da área chega a 13,49% a mais em 2050 e 21,26% em 2070, com ganhos de R$ 589 milhões a R$ 929 milhões.
PRODUÇÃO - A mandioca não sairá perdendo com o aquecimento global, segundo as projeções dos pesquisadores. Por outro lado, o Nordeste poderá até deixar de produzir. A Bahia é o segundo produtor nacional, com quatro milhões de toneladas. Uma produtividade média de 12 toneladas por hectare e uma área plantada de 400 mil hectares, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2007. É cultivada em todos os municípios, principalmente por pequenos produtores, e envolve mais a mão-de-obra familiar.
ALERTA GERAL - De acordo com o pesquisador em mudanças climáticas da Embrapa Informática Agropecuária, de CampiJOSÉ SILVA | AG. A TARDE Plantação de mandioca do Recôncavo: área privilegiada nas (SP), Giampaolo Queiroz Pellegrino, é preciso começar a reverter o quadro agora. "A idéia do estudo é de alertar para começar a nos adaptar desde já às mudanças que possam ocorrer. A intenção é não deixar chegar a essas projeções, mas se preparar para um cenário futuro que pode acontecer se não tomarmos algumas medidas".
Mas o que preocupa os agricultores é a migração da cultura, podendo até desaparecer no Nordeste, uma região bastante vulnerável ao efeito estufa. Os efeitos das mudanças climáticas são também sociais.
"Um dos efeitos sociais são os refugiados climáticos. Se acontecer a falta de opção no Nordeste e as ações não forem feitas agora, pode haver desemprego, as casas de farinha fecharão e as pessoas terão que sair de suas regiões, mas não podemos chegar a isso", alerta Giampaolo Pellegrino, que participou dos estudos Aquecimento Global e Cenários Futuros da Agricultura Brasileira.