Ajuda ao Citigroup impulsiona grãos
O anúncio do pacote de resgate ao Citigroup, um dos maiores bancos do mundo, favoreceu a maior alta das commodities agrícolas das últimas três semanas. As notícias de que os parlamentares dos Estados Unidos, maior produtor mundial de grãos, devem aprovar novas medidas de estímulo econômico em 2009 animaram os investidores. As cotações da soja com entrega para janeiro recuperaram parte das perdas e subiram 5,2%, fechando cotadas a US$ 8,91 o bushel (27,2 quilos).
O índice Reuters/Jefferies CRB (que acompanha 19 matérias-primas, entre elas petróleo e grãos) subiu 3,9% e o índice Standard & Poor"s 500 registrou alta de 4,8%. O milho com entrega para dezembro pegou carona e fechou em 354,50 centavos de dólar o bushel (25,4 quilos), valorização de 4,7%. Até a semana passada, o milho e a soja haviam acumulado queda de mais de 49% na comparação com os valores recordes alcançados em meados do ano, período antes do agravamento da crise mundial.
"Há poucas novidades no que se refere aos mercados de milho e soja. Ambos devem continuar flutuando segundo o cenário da economia mundial", observou a Brock Associates, empresa de consultoria do setor com sede em Milwaukee. "A forte recuperação observada na sexta-feira nos mercados de ações nos Estados Unidos e as notícias sobre o plano do governo norte-americano para socorrer o Citigroup foram especialmente animadoras".
O milho, principal produto agrícola norte-americano, e a soja, que vem em segundo lugar, tiveram seus maiores ganhos percentuais em um único dia desde 29 de outubro.
Trigo
Os contratos de trigo com vencimento em março também tiveram alta ontem. Os papéis com entrega para março fecharam em 556,75 centavos de dólar o bushel (27,2 quilos), alta de 7,4%. Além do pacote de ajuda ao Citigroup, a alta foi creditada por alguns especialistas à perspectiva de redução da área em 2009. Segundo o Grupo UniCredit, que atua no mercado bancário, os preços do cereal devem subir com a queda de 7% na produção mundial em 2009, o equivalente a 50 milhões de toneladas. A redução da área, por causa do recuo nos preços, e os altos custos de produção devem afetar aprodutividade.