Novembro Negro é encerrado com edital de cultura e memorial a Waldeloir Rego

28/11/2008

 Novembro Negro é encerrado com edital de cultura e memorial a Waldeloir Rego

 

Projetos de quaisquer linguagens artísticas que tenham como temática a valorização da cultura negra no estado da Bahia terão apoio do Edital de Promoção da Cultura Negra, no valor total de R$ 300 mil, lançado ontem, no auditório da Biblioteca Pública, nos Barris.

O edital acolherá, no mínimo, sete projetos divididos em três categorias – quatro de R$ 25 mil, duas de até R$ 50 mil e uma de R$ 100 mil.

"As manifestações artísticas, sejam musicais, estéticas, culinárias, vestuárias ou manufaturadas, que hoje vemos em nosso estado serem consideradas como patrimônios da humanidade, devem ser valorizadas e estimuladas em meio a quem as produz", pontua Ubiratan Castro, diretor da Fundação Pedro Calmon, unidade da Secretaria da Cultura, responsável pelas políticas públicas para literatura e memória.

O lançamento se deu durante a última conferência do ciclo sobre Memória dos Movimentos Sociais, que teve a história do movimento negro na Bahia como tema.

Pouco antes do início da conferência, o professor Ubiratan Castro, bibliotecárias, convidados e amigos prestigiaram a inauguração do Memorial Waldeloir Rego, etnólogo, antropólogo e folclorista baiano, morto em 2001, aos 71 anos.

O Memorial tem cerca de 15 mil títulos, entre livros do acervo pessoal do intelectual e de um acervo do Estado sobre cultura africana que estava sendo mantido em condições inadequadas numa antiga fábrica, conhecida como Queimado.

Amigo pessoal de Waldeloir, o historiador Jaime Sodré conduziu um pequeno ritual afro na inauguração do Memorial. "Waldeloir era ogan, uma espécie de mestre de cerimônias do candomblé Ilê Axé Opó Afonjá e, com certeza, teria feito essa cerimônia para abrir os caminhos para essa casa de produção do saber e do conhecimento", explicou.

Cerca de 15 mil títulos compõem o acervo do memorial

Waldeloir Rego nasceu em Salvador, em 1930. Negro de aparência simples, era na verdade um esteta e um erudito, versado em diversas línguas.

Foi uma espécie de consultor para assuntos de candomblé e da cultura africana, tendo sido frequentemente abordado por Jorge Amado. "Este rapaz é quem mais entende de candomblé na Bahia", disse certa vez o escritor.

Um dos momentos mais emocionantes da solenidade foi quando um amigo íntimo de Waldeloir leu uma carta na qual definiu: "Era um homem alegre pela possibilidade do conhecimento de sua cultura ancestral e pela facilidade de fazer e manter amigos."