Tratamento homeopático neles! As doenças parasitárias como carrapato são muito comuns na região
Jornal A TardeCom uma taxa de mortalidade animal em cerca de 16% em 2003, a região de Aramari (a 118 km de Salvador) tem conseguido mudar esta realidade e atualmente o índice não atinge 1%. Tudo isso se deve ao uso da homeopatia como forma de combater a incidência de doenças, estudo que vem sendo testado há cinco anos na Estação Experimental da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) no município e já traz bons resultados com bovinos e bubalinos.
De acordo com Antônio Vicente da Silva Dias, médico-veterinário e homeopata da EBDA, as doenças de maior incidência na região são a mamite (inflamação na mama do animal leiteiro), a tristeza parasitária (transmitida por um protozoário presente no carrapato, que destrói os glóbulos vermelhos e ataca o sistema nervoso) e a papilomatose (verrugas). Antes, as doenças eram combatidas com antibióticos, que, muitas vezes, deixavam resíduos no leite e na carne.
"Com a homeopatia, conseguimos resultados mais eficazes em menos tempo, pois estes medicamentos homeopáticos ajudam na produção de anticorpos e o animal fica mais resistente a doenças. Sem falar dos riscos, que são zero, em relação à contaminação ambiental, humana e animal", reforça.
Além de representar custos mais baixos para o agricultor, o uso da homeopatia, frisa, não traz riscos para o homem ou para o meio ambiente.
Tratamento - Antônio Vicente diz que a homeopatia era utilizada por ele na Estação Experimental por conta própria, até que em 2003 uma bezerra batizada de "Quadrilha" pegou uma pneumonia e estava desenganada pelos veterinários e ele solicitou autorização a diretoria da EBDA para fazer o tratamento homeopático.
"Começamos o tratamento na fase crônica da doença e logo no outro dia já notamos os resultados. A diretoria acreditou e até hoje utilizamos a homeopatia aqui na estação e estamos ampliando para outras regiões", destaca, apresentando a vaca "Quadrilha", com 5 anos.
Em 2003, a taxa de mortalidade animal por tristeza parasitária bovina, conhecida como "mal triste", que deixa o animal com febre alta e anêmico, além de comprometer os movimentos motores, levando-o ao coma e logo após à morte, na estação experimental, era de 12%.
Atualmente, não há registro de morte devido à doença. "Logo no primeiro ano, houve uma queda para 5% e hoje não temos registro de nenhuma morte, mas, além de combater a doença, estamos fazendo um trabalho de controle do carrapato, que é o vetor da doença", disse Sinval Luz Souza, também veterinário e homeopata da EBDA.
Defesas - O trabalho com a homeopatia, alerta o veterinário da EBDA, é controlar a infestação do carrapato e não exterminá-lo, já que ele "vacina" gratuitamente o animal, ou seja, na fazenda em que não há carrapatos gera prejuízos, pois os bezerros, por não terem contato com o parasita, não criam defesas contra esse tipo de contaminação (tristeza parasitária bovina).
"Aqui utilizamos o Nim, planta considerada inseticida natural que é apropriada para combater o carrapato", explica o veterinário da EBDA. O Nim tem ação cicatrizante e é carrapaticida.
Vantagens - Na estação experimental, são 226 animais, sendo 107 bovinos e 119 bubalinos e, segundo Antônio Vicente Dias, as vantagens do tratamento homeopático, de um modo geral, podem ser observadas na melhor relação custo/benefício; na estimulação das defesas orgânicas dos animais; na ausência de contaminantes químicos e de danos ambientais.
A medicação pode ser fornecida junto aos alimentos e diluída em água, evitando o estresse na contenção dos animais. "Os búfalos têm as mesmas doenças dos bovinos, só que eles são mais resistentes e atualmente tratamos com maior incidência as verminoses, pois dificilmente aparecem outras doenças", diz, mostrando a búfala "Cacunda", que tem 16 anos.