Cana do Nordeste terá preço mínimo e leilão
Assim como já funciona há mais de três décadas com produtores de grãos, o setor sucroalcooleiro do Nordeste também fará parte da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) do Governo Federal. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciou ontem em Pernambuco que foi autorizada pelo governo a criação de uma subvenção emergencial de R$ 5 por tonelada aos fornecedores de cana da região com um limite de 10 mil toneladas por produtor. "As medidas vão requerer legislação específica e a gente pede a atenção dos governadores para que seja via Medida Provisória para vigorar o mais rápido possível", afirmou Dilma.
O pleito é antigo do setor que, nesta safra, está recebendo da indústria R$ 36 por tonelada, para um custo de produção que varia de R$ 50 a R$ 60. A medida deve atingir também os produtores de cana já entregaram o produto à usina. A ministra também anunciou que foi autorizado o leilão de até 1,8 milhão sacas de 50 quilos de açúcar pela COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). Ainda, incluiu os produtores de cana-de-açúcar no Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) e ampliação do teto de renda bruta anual de R$ 110 mil para R$ 220 mil, medida que abrangerá 94% dos produtores de cana do Nordeste.
A ministra também anunciou a criação de um grupo de trabalho para discutir estratégia da produção canavieira do nordeste e diversificação de atividades econômicas. O grupo será formado por representantes do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário, dos governos estaduais da região e de produtores.
O presidente do Sindicato da Indústria de Açúcar e Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar), Renato Cunha, diz que as medidas foram tomadas para aumentar a liquidez do setor. Outro pleito entregue à ministra, é o de aquisição pelo governo de 500 milhões de litros de álcool para formação de estoques. "Na realidade, tanto o leilão de açúcar quanto a aquisição de etanol ajudariam a irrigar o setor com capital de giro, uma vez que as vendas, tanto no mercado interno quanto externo estão muito lentas", justifica Cunha.
Ele explica que o já autorizado leilão de 1,8 milhão de sacas de açúcar equivale a apenas 5% da comercialização anual da região no mercado interno, no entanto, apesar de ser "simbólica" será importante pois vai gerar capital de giro. "Além disso, os estoques de açúcar já atingem 2 meses de produção e preocupam o setor", diz Cunha.
A produção de açúcar no Nordeste nesta safra deve atingir 4,8 milhões de toneladas, dos quais 3 milhões a 3,2 milhões são destinadas ao mercado externo.