Direitos de tradução foram negociados em 10 idiomas

04/12/2008

Direitos de tradução foram negociados em 10 idiomas

 

"Antes de ser jornalista, sou filha de agricultores e sei o quanto é importante qualquer economia com a lavoura", diz Marie-Monique Robin, jornalista investigativa há mais de 25 anos na França, justificando sua motivação em produzir o livro. A autora costuma produzir obras sobre assuntos polêmicos como "Ladrões de órgãos, investigação sobre o tráfico" (Bayard, 1996), "Esquadrões da morte, a escola francesa" (La Découverte, Paris, 2004) e "Escola da suspeita. Os resultados da luta contra a pedofilia" (La Découverte, Paris, 2006). Além de dirigir diversos documentários premiados internacionalmente, como "Esquadrões da Morte: A Escola Francesa", que trata da Operação Condor, para o qual entrevistou vários dos maiores repressores das ditaduras militares dos anos 70.

A autora estará em São Paulo no próximo dia 8 para lançar o livro sobre a Monsanto, resultado de três anos de pesquisa em diversos países, entre eles o Brasil, e lançado como o filme "O Mundo segundo a Monsanto", sendo exibido pela TV franco-alemã Arte. O sucesso nas telas ganhou versão em livro, que tornou-se um best-seller na França, com mais de 80 mil exemplares vendidos, e direito de tradução negociados para mais de dez idiomas na Europa, América e Ásia.

Marie-Monique espera que o livro chame a atenção para a forte atuação da Monsanto em aquisições de produtoras de sementes. Durante as últimas décadas, a empresa comprou mais de 60 companhias de sementes - muitas delas no Brasil. Para tal finalidade, a jornalista explica que a empresa não mede esforços. "Recentemente, a Monsanto foi punida por suborno na Indonésia porque tentou driblar a proibição internacional de OGMs para impor o algodão transgênico". Cerca de 90% das sementes transgênicas usadas são patenteadas pela companhia. "Como uma jornalista que passou três anos pesquisando o passado e o presente da Monsanto, como uma cidadã do mundo e como uma mãe de três crianças, realmente não quero "um mundo segundo a Monsanto".