Excesso de sombreamento e umidade: desvantagens
A produtividade nas roças visitadas desfaz o velho conceito de que o cacau só pode ser cultivado em regime de sombreamento, na cabruca, embaixo da Mata Atlântica. É fato que a planta sofre com sol forte, mas, com a chegada da vassoura-de-bruxa, o excesso de sombra e a umidade se tornaram prejudiciais, porque favorece a ação do fungo. Roças a pleno sol, com plantas bem podadas, sem ramificação inferior e uma densidade de mil plantas por hectare estão reagindo bem, porque fazem alta fotossíntese, segundo o pesquisador da USDA.
É o chamado bate-folha, em que as copas das plantas se encostam, protegem o caule e as raízes, sem sombrear demais a área, evitando que o capim cresça e concentre os esporos que reinfestam as plantações. O pesquisador da USDA assinala que o bate-folha não incentiva o desmatamento: busca o uso racional de espaços para produzir cacau em áreas menores, adensando as roças existentes.
"Com mil plantas/hectare, o produtor pode conseguir mais do que em dez hectares de plantio tradicional, destaca o pesquisador da Unicamp e integrante do Projeto Genoma Gonçalo Pereira.
Não é preciso desmatar para novos plantios: é só converter áreas degradadas e pastos em roças de cacau adensadas. Para evitar distorções, o governo federal poderia ajudar o produtor que está sem recursos a estabelecer a reserva legal nas propriedades. A grande questão é o manejo da cabruca, que deve ser feito por profissionais e com a permissão dos órgãos competentes.