Manejo adequado para pragas na lavoura
Manejo adequado é a arma para que o produtor de cacau possa enfrentar a vassoura-de-bruxa e recuperar a produtividade da lavoura, no entender do pesquisador americano Lyndel Meinhardt, chefe do United States Department of Agriculture (USDA, na sigla em inglês), laboratório de culturas perenes sustentáveis de ciclo longo, ligado ao departamento de Agricultura e líder da pesquisa de cacau nos Estados Unidos.
Conhecedor da doença (participou desde o início do Projeto Genoma da Vassoura-de-bruxa liderado no Brasil pela Universidade de Campinas), Meinhardt relata como a pesquisa mostrou, com clareza, o ataque do fungo no cacaueiro, mas é preciso encontrar uma forma de quebrar a sincronia entre o agente causador da doença e a planta.
Com fungicidas ainda não é possível, porque a doença é muito complexa. "O ponto fundamental está no manejo", afirma. Meinhardt visitou vários países produtores de cacau e diz que fala não como pesquisador, mas como um observador que ficou impressionado com os resultados obtidos pelo produtor Edvaldo Sampaio, na Fazenda Nova Esperança, no município de Gandu, no sul da Bahia.
"Ele conseguiu quebrar a sincronia fungo/planta com ações que combinam proteção das raízes, poda e adubação e está produzido 80 arrobas por hectare, numa região onde a maioria dos produtores está colhendo dez arrobas/ hectare", destaca.
SUPRIMENTO - Os Estados Unidos não produzem cacau, mas estão entre os maiores fabricantes mundiais de chocolate, daí o grande interesse do governo americano, segundo Meinhardt, em garantir o suprimento de cacau para a indústria chocolateira, dando suporte financeiro e tecnológico para solucionar problemas nas áreas produtoras.
Nos EUA, dois grupos atuam no setor: um em Miami, trabalhando com melhoramento de cacau e o USDA, focado nas doenças e no manejo. Além disso, é preciso proteger um grande número de produtores no País, como os de leite e amendoim, que dependem do cacau e da cadeia de produção do chocolate.
Na Fazenda Nova Esperança, destaca-se o cuidado do produtor com a calagem das raízes do cacaueiro, com o uso de gesso. "É como uma irrigação branca, que deixa as plantas com raízes saudáveis e profundas, com habilidade muito maior de explorar a água do solo", ressalta Gonçalo Pereira, professor da Unicamp e líder do Projeto Genoma. Talvez essa, diz, seja a explicação mais provável para as roças do produtor não estarem sofrendo tanto com a seca que castiga a região, provando que o manejo adequado é mais importante que o material genético.
PODA - Outro ponto importante no manejo é a poda antecipada, entre setembro e dezembro, que evita gastos adicionais para a remoção das vassouras ao longo do ano. A remoção tem o potencial de reduzir a pressão de inóculo de dezembro, responsável pela infecção de ramos e produção de vassoura verde em janeiro. Quando secam ao longo do 1º semestre, produzem cogumelos e esporos. No meio do ano, com a maior umidade e temperatura mais baixa, contaminam frutos da safra seguinte. A poda quebra a sincronia fungo e planta. A roça visitada pelo pesquisador da USDA está em plena poda.