Produtores de projeto irrigado investem em doce de chocolate

09/12/2008

Produtores de projeto irrigado investem em doce de chocolate

 

Depois do resultado positivo com a plantação de cacau irrigado no semi-árido, um novo projeto, a produção de chocolate artesanal, é a mais recente aposta no Perímetro Irrigado Barreiras Norte, a 870 km de Salvador.

O chocolate caseiro geralmente é produzido por meio das barras de chocolate derretidas, mas, na Associação Doces Momentos (ADM), fundada em 2007, a matéria-prima é usada para produzir o doce mais saboroso e cobiçado no mercado.

De acordo com o produtor Antônio Veloso, a plantação de cacau no semi-árido começou em 2003 com 94 pés, sendo que os primeiros frutos foram colhidos no final de 2004.

Hoje, a região conta com 1.200 pés de cacau, em uma área plantada de 1,5 hectare. Para Veloso, a experiência com a cultura na região foi surpreendente. "Mesmo no auge do cacau, na região sul, a nossa produtividade foi maior, muito heterogênea. Temos agora o objetivo de comercializar para fora, porque sabemos que o retorno será garantido, mas, para isso, precisamos de uma máquina para processar a castanha do cacau", reforça Veloso.

O produtor contou ainda que tem planos para ampliar a área plantada de cacau na fazenda.

Mulheres - A Associação dos Produtores e Moradores do Barreiras Norte conta hoje com 24 associados, sendo a maioria mulheres, com um ano de atuação, e trabalham com a produção de doces das frutas produzidas no projeto, como caju, maracujá, mamão e banana.

O carro-chefe na produção de doces é a cocada, mas a novidade do momento é o doce de cacau, um empreendimento idealizado por Etiene Mota Veloso, presidente da associação.

Apesar das dificuldades encontradas na produção do doce, Etiene não desiste e, com muito esforço e dedicação, prepara o chocolate. Por falta de uma estrutura adequada, o doce ainda não é comercializado na região, mas vendido apenas para amigos e conhecidos.

"Ainda não estamos preparados para atender à demanda. Precisamos de uma máquina para processar a castanha do cacau, pois manualmente é muito trabalhoso e não é viável", disse.

Etiene informou também que já foi feita uma solicitação para políticos da região e aguarda uma resposta. Etiene espera que o pedido seja atendido para o projeto deslanchar e a associação ser beneficiada com a produção do doce. "Espero que todos os entraves sejam resolvidos e possamos receber a máquina para realizarmos um trabalho mais amplo e atender aos comerciantes da cidade", adianta.

 

Etiene Mota Veloso é pioneira nesse projeto. Para ela, é um privilégio trabalhar com matéria-prima tão importante. "Tudo já está pronto; o homem apenas transforma. Eu me emociono quando estou cozinhado", diz.

Ela conta que não é difícil fazer o doce, mas "é muito trabalhoso porque depois que vai ao fogo não pode parar de mexer e deve permanecer por meia hora apurando até dar o ponto, o segredo para o chocolate ficar sem defeito". A receita foi passada em um curso que ela participou na Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), onde também aprendeu a processar outras variedades.

Preparo - Depois de meia hora no fogo, o chocolate vai para a pedra, onde será cortado em cubinhos e colocado nos potinhos para ser vendido. Mas o trabalho não termina por aí: o próximo passo é conscientizar o cliente do que ele está comprando.

"Este é um produto sem conservantes, saudável e puro. É o chocolate recomendado pelos médicos, por isso, as pessoas devem valorizar. Alguns acham caro. Precisamos trabalhar nas pessoas essa questão. Aos poucos, vão entendendo a importância de saber o que estão comendo, um produto puro e saudável", frisa a produtora Etiene Veloso.

Para chegar ao doce, o cacau passa por algumas etapas. Primeiro, é removida a casca da castanha, processo que leva cerca de uma hora. Em seguida, as sementes vão ao fogo, e, depois de torrado, o chocolate é triturado no liquidificador e, junto com os outros ingredientes, é fervido para chegar ao doce de chocolate.

Uma tarefa árdua, mas gratificante para os produtores, que, com muito esforço e dedicação, realizam um trabalho de qualidade. Para aperfeiçoar esse belo trabalho, eles esperam ser atendidos pelo governo com a máquina e um poço artesiano.