Mais uma usina apela à recuperação judicial
A família pernambucana Bezerra de Mello, acionista da rede de hotéis Othon, entrou com pedido de recuperação judicial de suas três usinas de açúcar e álcool instaladas no norte fluminense (RJ). Esse é o quarto grupo sucroalcooleiro a buscar proteção na Justiça para evitar a falência de suas unidades produtoras.
Entre novembro e ontem, além das usinas do Rio, os grupos Albertina, de Sertãozinho (SP), João Lyra, de Alagoas, Naoum, de Goiás, recorreram à Justiça.
O pedido de recuperação judicial das usinas da família Bezerra de Mello foi apresentado no dia 3 de dezembro para as unidades Barcelos, Carapebus e Cupim na 5ª Vara Cível de Campos dos Goytacazes (RJ), sede dessas plantas. Segundo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a ação foi distribuída ontem e ainda aguarda o despacho do juiz.
De acordo com o advogado José Alexandre Corrêa Meyer, do Escritório Motta, Fernandes Rocha, que representa os controladores das usinas, a situação financeira delicada das empresas foi agravada pelos baixos preços do açúcar e do álcool nos últimos dois anos. "A escassez de crédito afetou ainda mais a situação das usinas", disse Meyer. Os negócios sucroalcooleiros tocados pela família não têm vínculo com a rede de hotéis, explicou o advogado.
As três usinas da família têm capacidade instalada de moagem de cerca de 1,5 milhão de toneladas de cana por safra, além de uma destilaria com capacidade de produção de 90 mil litros de álcool hidratado por dia.
O Valor apurou que na safra atual, de 2008/09, somente a unidade Barcelos estava em operação. As unidades Carapebus e Cupim já estavam desativadas. A região do norte fluminense tentou nesses últimos meses se beneficiar do boom do etanol, com a reativação de usinas. Mas, com as condições adversas aliadas à pouca tradição dos grupos instalados naquela região, o efeito não foi esperado.
O norte fluminense é uma das antigas regiões produtoras de cana do Brasil, com usinas instaladas desde o século 19. Beneficiadas pelos royalties do petróleo, algumas cidades da região, como Campos de Goytacazes, receberam o apoio do governo do Estado para impulsionar o plantio de cana. Os canaviais apresentam baixa produtividade e as unidades ali instaladas estão defasadas.(MS)