Custo de royalties e de produção leva PR a plantar menos soja transgênica
O estado do Paraná está plantando menos soja transgênica na safra 2008/09, segundo levantamento divulgado ontem pelo secretário de Agricultura do Paraná, Valter Bianchini. Os dados foram apurados pela Associação Paranaense de Sementes e Mudas (Apasem), instituição responsável por 95% do mercado de sementes no estado. De um total de 4,070 milhões de sacas de sementes disponíveis no mercado, 56% eram de semente convencional e 44% de transgênica, segundo as informações fornecidas pela Apasem.
De acordo com declarações de Bianchini, "os produtores paranaenses estão plantando menos semente de soja transgênica depois de terem se certificado, na safra passada, de que o plantio da variedade convencional tem um custo de produção mais baixo do que o registrado pelo grão transgênico. Além disso, a produtividade e a renda obtida com o plantio da soja convencional foi maior na safra 2007/08", declarou Bianchini.
Retorno ao convencional
Com isso, a soja convencional volta a predominar no plantio estadual, revertendo a situação do ano passado.O levantamento da Apasem para a safra 2007/08 indicou que das 4,324 milhões de sacas de sementes de soja disponíveis no mercado, 48% eram de sementes convencionais e 52% de transgênicas. A Associação identificou essa tendência de retorno ao plantio de soja convencional principalmente nas regiões de Guarapuava e de Ponta Grossa.
Valter Bianchini lembrou que o aumento da demanda por semente de soja convencional justifica-se porque na safra 2007/08 o plantio convencional foi mais lucrativo que as lavouras geneticamente modificadas, e a produtividade também foi maior. "A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), constatou o aumento de 40% no custo de produção da soja transgênica na região Centro-Oeste do País, em função da elevação no custo do glifosato, principal herbicida utilizado no plantio da soja geneticamente modificada", explicou.
Segundo a Secretaria paranaense, na comercialização da safra 2007/08, os produtores que plantaram soja convencional tiveram uma remuneração extra, onde algumas empresas e cooperativas que vendem a produção para a Europa chegaram a pagar um diferencial de até R$ 2,50 a saca a mais na soja convencional. Em algumas cooperativas, esse adicional foi de 6% no preço da saca pela soja convencional.
Além disso, os produtores paranaenses conseguiram economizar R$ 42 milhões, por não terem que pagar royalties na compra de sementes transgênicas e também pela redução do custo de produção na lavoura, conforme dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. Em março passado o Deral divulgou que o rendimento da safra 07/08 foi de 3.060 quilos por hectare para o plantio convencional (51 sacas de 60 quilos) e de 2.996 quilos por hectare para o plantio da soja geneticamente modificada (49,9 sacas de 60 quilos).