Diversidade marca produção no perímetro em Curaçá

22/12/2008

Diversidade marca produção no perímetro em Curaçá

 

O surgimento dos perímetros irrigados na zona rural de Juazeiro se deu entre os anos de 1973 e 1981, quando foram criados, sequencialmente, os Perímetros Mandacaru, Tourão, Curaçá e Maniçoba. Com sistema de irrigação por gravidade, os perímetros têm no Rio São Francisco sua força maior responsável pela distribuição da água nos 419,60 hectares irrigados e 439,90 de área de sequeiro, divididos entre pequenos produtores e empresas.

De acordo com dados da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), no Perímetro de Irrigação Curaçá existem duas organizações que administram os serviços de bombeamento e distribuição da água para os lotes: a União dos Produtores do Perímetro Irrigado de Curaçá (Upropic) e o Distrito de Irrigação de Curaçá (DIC).

Este último fornece água para as áreas empresariais implantadas e também para agricultores familiares, enquanto a Upropic trabalha exclusivamente com os lotes agrícolas de agricultores familiares. O produtor Jonas Alvani Menezes da Silva está no Perímetro de Irrigação Curaçá desde os 14 anos, quando chegou com os pais em 1982. De lá para cá, conta, sempre trabalhou com agricultura. Apesar de não ter grandes lucros, o dinheiro é suficiente para cobrir os custos e investir em outras culturas.

ACEROL A - Em um hectare de acerola, por exemplo, Jonas consegue colher 13 toneladas. Até o dia 12 deste mês, colheu 53 caixas de 20 kg cada uma, que são vendidas ao preço de R$ 0,70 para a empresa Niagro, trabalhando com contrato fechado. "É mais seguro para os produtores, que antes plantavam sem saber para quem venderiam, corriam mais riscos e as perdas eram maiores", assegura o produtor, que faz parte da Associação de Fruticultores do Projeto Curaçá (Afrupec). Ele diz que os associados têm a vantagem de primeiro fazer o plantio já com destino certo. Além da acerola, seu carrochefe, também cultiva coco, mamão e atemóia.

A Afrupec foi fundada em 2004 e realiza atividades de promoção da fruta produzida pelos seus associados, apresentando ainda resultados significativos na comercialização de manga, coco e mamão. Segundo Carlos Cavalcante, da Codevasf, a empresa ofereceu aos produtores, entre março e dezembro de 2007, serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural, com 1.928 visitas, sendo 798 por demanda e 1.130 complementares, além cursos de capacitação.


Bons resultados são obtidos com parcerias


Os produtores têm a manga como principal cultura do Perímetro de Irrigação Curaçá, representando 43% da área total em 880 ha e produção anual de 3,5 mil toneladas. A melancia é a segunda fruta de maior produção, seguida do coco, com 7 milhões. As outras são acerola, mamão, maracujá, melão, pinha, atemóia, laranja, graviola, romã, goiaba, uva, banana e limão.

Para a Codevasf, a arrecadação do Perímetro Irrigado de Curaçá, ano passado, que foi de R$ 18.615.119,00, representa um aumento de 49% em relação à de 2006. Levando-se em consideração o histórico dos últimos sete anos, o aumento é de mais de 300%, mesmo com o incremento de apenas 14% da área colhida no mesmo período. Uma parceria com a empresa de exportação Argofruta, feita em 2007, possibilitou que os produtores da Afrupec exportassem pouco mais de 400 toneladas de manga para o mercado europeu.

"A iniciativa promove melhor remuneração aos produtores, que conseguiram preços maiores que os praticados no perímetro pelos atravessadores. Mas a comercialização da manga ainda é preocupante, pois o volume exportado é muito pequeno em comparação à produção total do perímetro, que deverá aumentar nos próximos anos", afirma Carlos Cavalcante.

CUSTOS - Para Josival Barbosa, presidente da Associação dos Fruticultores do Perímetro Curaçá, apesar dos bons números, a maior dificuldade enfrentada hoje são os altos custos de produção. "Estamos buscando alternativas para driblar os preços altos dos insumos com material orgânico e até mesmo o bagaço do coco para ser usado nas plantações", afirma, dizendo que é preciso apostar na implantação da agroindústria como agregação de valor às culturas e aproveitamento de muitas frutas que têm excesso de produção, como a manga.

Um galpão em uma das vilas está à espera de recursos para dar início ao sonho dos pequenos produtores de fazer doces, geléias e outros produtos. Barbosa lembra que as parcerias com empresas de Juazeiro e Petrolina foram fundamentais para o bom resultado de 2008.