Queda na demanda por adubo se acentua neste fim de ano
As indústrias de fertilizantes comercializaram cerca de 700 mil toneladas de adubo em dezembro, volume muito abaixo da média alcançada nos demais meses do ano. De janeiro a novembro, o volume negociado foi 21,4 milhões de toneladas.
A retração nas vendas vem sendo sentida desde outubro. Se acentuou em novembro e se agravou em dezembro. De acordo com dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), no mês passado foram entregues 1,19 milhão de toneladas, quase 50% menos que o negociado em novembro de 2007 e 41,3% abaixo do volume vendido no mês anterior. A queda ao longo de 2008 já é de 6,9%.
O insumo que o produtor rural já não procura mais enche os estoques das empresas produtoras e misturadoras. O maior volume estaria em poder da Bunge Fertilizantes, 1,8 milhão de toneladas - entre nutrientes importados e produzidos no Brasil. Mosaic (Cargill) e Fertilizantes Heringer seriam detentoras de mais 700 mil toneladas cada. Em poder da Fertipar estaria outras 500 mil toneladas de adubo. As demais empresas do setor seriam responsáveis pela estocagem de pelo menos 1,5 milhão de toneladas.Todo esse volume nos armazéns das indústrias do setor provocou queda dos preços no mercado interno. O nutriente que sofreu maior impacto foi o enxofre, que registrou queda de 76% de outubro a novembro. A menor variação foi verificada na cotação dos fosfatados, que no período caiu 10,5%.
O único nutriente que resiste ao esfriamento do mercado é o potássio. Seus preços ainda não sofreram qualquer variação. Mas a consultora Elizabeth Chagas acredita que essa resistência não vai durar. "A tendência é de a tonelada ser negociada a US$ 550 no mercado internacional já que as empresas que detêm a exploração do mineral não devem arriscar perder mercados consumidores como o da China e da Índia".
Além de forçar a derrocada dos preços, o volume de fertilizantes parado nos armazéns das empresas encarece diariamente a dívida das empresas. Sem encontrar vazão para os minerais que importaram, os mesmos estão sujeitos à variação cambial - eles foram adquiridos quando a moeda americana custava cerca de R$ 1,80, na sexta-feira o dólar fechou o pregão a R$ 2,36 e na semana anterior a R$ 2,50. "E não tem como fugir desse prejuízo. Os balanços das empresas devem incorporar essas perdas já neste último trimestre de 2008", acredita Elizabeth. Apesar da crescente e irremediável dívida, a consultora aposta que "nenhuma empresa saia dos trilhos".
O setor deve iniciar o ano com um estoque de passagem superior a 6 milhões de toneladas de fertilizantes, contratando com as expectativas de um crescimento de 6% em relação às quase 25 milhões de toneladas comercializadas no ano passado. Ao invés disso, queda, e de quase 9%, já que as vendas não devem chegar nem a 23 milhões de toneladas, contando com um total minguado de no máximo 1,2 milhão de toneladas negociadas em dezembro.