Soja transgênica brasileira vai à CTNBio

23/12/2008

Soja transgênica brasileira vai à CTNBio

 

A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia - unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária -, em parceria com a multinacional alemã Basf, desenvolveu a primeira variedade de soja geneticamente modificada com tecnologia 100% nacional. E ela já está à caminho da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

A variação nacional também é tolerante a herbicida. Além de uma semente resistente ao glifosato, os sojicultores vão passar a cultivar uma planta tolerante ao imidazolinona. Para Alda Lerayer, diretora-executiva do Conselho de Informação sobre Biotecnologia (CIB), é permitida uma maior flexibilidade ao produtor rural, "que poderá fazer rotação das culturas com as duas variações". Segundo ela, isso evitaria o aparecimento no campo de variedades resistentes.

A Embrapa deve submeter a nova soja transgênica à CTNBio ainda este ano, mas só a partir de fevereiro os relatores começariam a realizar as verificações para atender os tópicos de segurança determinados pela Comissão. O processo de liberação comercial pode levar cerca de seis meses e já em 2011 a semente chegaria ao mercado.

O geneticista e engenheiro agrônomo da Embrapa foi quem coordenou a pesquisa. A inovação está na modificação do genoma da planta da soja com a inserção de um único gene, o Ahas, extraído da Arabidopsis thaliana - planta usada na produção de herbicidas da classe imidazolinonas. A pesquisa foi desenvolvida no Centro Nacional de Recursos Genéticos (Cenargen) da Embrapa. O gene Ahas foi patenteado pela Basf e a Embrapa também depositou um pedido da tecnologia de transformação genética no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

A CTNBio também analisa outra soja geneticamente modificada, tolerante à glufosinato de amônio - variação já aprovada na Europa desenvolvida pela Bayer.

Os royalties provenientes da venda da tecnologia desenvolvida pela Embrapa em parceria com a Basf serão divididos entre as duas empresas. A cooperação técnica comercial firmada pelas instituições demandou um investimento de cerca de R$ 15 milhões em estudos e no desenvolvimento tecnológico da nova variedade.

(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 10)(Gilmara Botelho)