Cera alveolada ajuda na produção de mel
Mantendo o título de Capital Baiana do Mel há mais de cinco anos, o município de Ribeira do Pombal, localizado a 282 km de Salvador, ganhará, no próximo ano, a primeira usina de beneficiamento de cera de abelha do Estado.
A Central de Cooperativas de Apicultores da Bahia (Cecoapi), com sede na cidade, já fez a aquisição de equipamentos e capacitou apicultores da região. Basta, apenas, o projeto de implantação ser aprovado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR).
Com uma produção de 10 toneladas/ano, a cera de abelha, atualmente, é tratada como subproduto, onde 20% são vendidos para a indústria de cosmético e o restante, transformado em cera alveolada, que se constitui em uma lâmina, cheia de furinhos, que é colocada na colméia, para que as abelhas teçam, transformado-a em favo, que, por sua vez, irá abrigar os ovos e o mel.
A cera alveolada faz com que as abelhas economizem tempo e energia, trabalhem mais rápido e, conseqüentemente, produzam maior quantidade de mel.
Renda - "Os apicultores hoje não vêem a cera como mais uma fonte de renda. Estamos trabalhando nesta conscientização, para que consigam transformar o que consideram subproduto em produto tão importante quanto o mel, principalmente na entressafra, onde a produção de mel é reduzida", destaca Marcos Oliveira, presidente da Cecoapi. "Assim, eles terão mais uma alternativa de renda", completa.
Pensando na mudança, a Cooperativa de Apicultores de Ri beira do Pombal, com apoio da Cecoapi, promoveu, no mês passado, um seminário para que os apicultores da região conhecessem as últimas novidades sobre a eficiência do uso da cera alveolada, produção e mercado de cera orgânica certificada. Atualmente, o beneficiamento da cera bruta está sendo feito apenas na Cecoapi. É para lá que os apicultores levam a cera, em forma e tamanhos variados, e escolhem se querem receber em dinheiro ou trocar pela alveolada.
Beneficiamento - O beneficiamento da cera bruta em alveolada é feito da seguinte forma: a cera bruta chega em vários tamanhos e formas e é cortada em cubos, que são colocados em aquecedores para derreter. Em seguida, em fôrmas uniformes. "Se for para a indústria de cosmético, após esta etapa, encaminhamos o material para as empresas. Mas, se for para transformar em cera alveolada, ela é colocada em um cilindro, que faz as lâminas e as enrola, para que seja levadas ao cilindro alveolador, onde são feitos os furinhos. As lâminas, então, são cortadas em tamanho de forma padrão", explica Marcos Oliveira.
Mel - Considerado pelos apicultores como a principal fonte de renda da categoria, o mel tem um produção de cerca de 600 toneladas/ano. Mas há expectativa de crescimento, já que os produtores estão se profissionalizando e aplicando as novas técnicas em seus apiários. Segundo Oliveira, antes, a apicultura era feita de forma desgovernada, sem o mínimo de higiene e respeito ao meio ambiente. "Tanto, que chamávamos os apicultores de meleiros. Com o passar do tempo, conseguimos mudar esta imagem, profissionalizar e atingir o mercado tanto nacional quanto internacional", destaca.
Para Oliveira, o ponto principal da mudança foi a parceria feita entre o Sebrae e Secretaria de Agricultura, através da Empresa Baiana de Desenvolvimento agrícola (EBDA ), que começou a investir na capacitação dos apicultores e funcionários do setor. Hoje, diz, existe um investimento maciço dos governos federal e estadual para a apicultura.
"Conseguimos investimentos para o pontapé da mudança, que vai da construção de casas de mel até a estruturação de cooperativas, que conseguem capacitar, adquirir equipamentos e ampliar as instalações", acentua.