Aumenta o uso de sementes certificadas
A busca por lavouras com menor incidência de pragas e, consequentemente, com menores custos, aumentou o volume de sementes certificadas vendidas em 2008. Mais cautelosos e informados, produtores investiram com maior peso na qualidade da safra. O uso de insumos de baixa qualidade favorece o aparecimento de doenças já controladas, como o mofo branco da soja. A Associação de Sementes e Mudas (Abrasem) estima que, dos 2,7 milhões de toneladas consumidos em 2008, cerca de 1,5 milhão eram certificadas, um aumento de 7% em relação a 2007, quando 1,4 milhão de toneladas de produtos certificados foram consumidos. Essa evolução foi superior ao crescimento da área de grãos plantada no País. Segundo a Conab, a área em 2008/09 foi ampliada em 0,2%, para 47,5 milhões de hectares.
As fiscalizações contra pirataria e contrabando de sementes desenvolvidas pelo Ministério da Agricultura também ajudaram a combater as irregularidades no setor e impulsionar esse crescimento. Segundo dados do Ministério, até outubro de 2008, as operações coordenadas pelo Departamento de Fiscalização de Insumos Agrícolas, da Secretaria de Defesa Agropecuária (DFIA/SDA), desencadearam 15,4 mil fiscalizações, com a suspensão comercial de 16,4 mil toneladas do insumo.
"O uso de produtos de origem certificada estimula o investimento das indústrias em pesquisas", afirma Iwao Miyamoto, presidente da Abrasem. Ele diz que o investimento em pesquisa cresceu muito. "Isso só é possível por causa do pagamento dos royalties". Para ele, 2009 será o "ano da tecnologia no campo". Segundo disse, além das fiscalizações, o trabalho de conscientização está crescendo a partir das associações que representam os produtores. Cita como exemplo o Rio Grande do Sul, onde o percentual de sementes piratas vem recuando ano após ano. "Em 2006, 95% das sementes utilizadas no estado eram piratas. Esse total caiu para 60% em 2008", conta.
Cássio Cruz Camargo, secretário-executivo da Associação Paulista dos Produtores de Sementes (Apps), alerta para o excesso de burocracia nas fiscalizações. "O rigor deve ser usado na comercialização do produto e não na fase de produção. As exigências beiram o absurdo, causando maiores custos e oferecendo oportunidade à corrupção".
Por outro lado, José Guilherme Leal, diretor substituto de fiscalização de insumos agrícolas do Mapa, afirma que comunicar o ministério é uma forma de manter a rastreabilidade regulada. "Conseguimos acompanhar a qualidade do produto que chega ao produtor".
Em linha com o crescimento do setor, a Dow AgroSciences anunciou que está em negociação com a Seeds Bredbeck, uma fornecedora tradicional de sementes de milho, trigo e soja aos agricultores de Ohio, Indiana e Michigan, nos Estados Unidos.
O negócio está baseado na estratégia de expansão da empresa. No Brasil, ela resultou nas aquisições da produtora de sementes de milho, Agromen Tecnologia, em agosto de 2007, e da unidade de produção de sementes de milho híbrido da Coodetec em Paracatu (MG), em outubro de 2008. A empresa colocará à venda neste ano, a nova variedade do milho Herculex I, resistente a insetos e herbicida. Rolando Alegria, diretor da empresa diz que o volume oferecido será divulgado após a liberação de todos registros.